Manifestantes iraquianos voltam a invadir Zona Verde da capital
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Pela segunda vez em menos de três semanas, manifestantes iraquianos invadiram a Zona Verde, área fortificada da capital iraquiana que abriga o Parlamento, diversos ministérios e embaixadas estrangeiras.
Forças de segurança iraquianas responderam à multidão com bombas de gás lacrimogêneo e tiros no ar. Um repórter da Associated Press relatou ter visto muitos manifestantes seriamente feridos.
Há relatos não confirmados de que o Parlamento e o escritório do primeiro ministro teriam sido invadidos.
A situação levou o primeiro-ministro do Iraque, Haider al-Abadi, a impor toque de recolher em Bagdá. Há meses, protestos no país cobram por uma mudança no sistema político instituído no Iraque após a queda de Saddam Hussein, em 2003.
Na manhã desta sexta (20), milhares de pessoas, a maioria jovens iraquianos, reuniram-se em frente à Zona Verde para protestar contra o governo. Para dispersá-los, a polícia usou bombas de gás, mas a ação acabou por incendiar os ânimos, levando a uma escalada da violência no local.
Em 30 de abril, centenas de manifestantes, a maioria apoiadores do influente clérigo Muqtada al-Sadr, invadiram o Parlamento e permaneceram acampados na Zona Verde por 24 horas.
Al-Sadr advoga pelo fim do sistema de cotas nos escalões de poder implementado no Iraque por Washington após a queda de Saddan Hussein. O modelo foi pensado de forma a incluir as principais linhas étnicas-religiosas presentes no país -xiitas, sunitas e curdos- em cargos de decisão. No entanto, segundo críticos, incluindo Al-Sadr, o sistema está manchado pela corrupção e pela troca de favores.
Frente às críticas, o premiê Al-Abadi tenta fazer uma reforma política no país, mas encontra resistência de legisladores.
