Nigéria diz ter encontrado segunda menina sequestrada pelo Boko Haram
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Exército da Nigéria informou nesta quinta-feira (19) que foi encontrada uma segunda menina sequestrada em 2014 pela milícia terrorista Boko Haram em uma escola de Chibok, no nordeste do país.
O anúncio é feito um dia depois que as autoridades acharam Amina Ali Darsha, 19, a primeira das alunas da escola que continuavam desaparecidas. Ela e sua filha de quatro meses foram recebidas pelo presidente Muhammadu Buhari.
Ainda não há informações sobre o nome da segunda vítima e as circunstâncias em que ela foi recuperada. Segundo o porta-voz do Exército, Sani Usman, mais detalhes sobre a nova menina recuperada serão fornecidos nas próximas horas.
A notícia da segunda sequestrada recuperada aparece enquanto as forças nigerianas fazem uma operação em florestas do Estado de Borno, onde fica Chibok, contra o Boko Haram e em busca das meninas capturadas há dois anos.
Em entrevista, o governador do Estado, Kashim Shettima, disse que os militares já estão na região de floresta e que tem confiança de que todas as alunas desaparecidas sejam recuperadas nas próximas semanas.
Apesar do otimismo, as tentativas militares anteriores de derrotar a milícia tiveram pouco resultado porque as tropas estavam despreparadas para grupos de extremistas armados, minas terrestres e ataques suicidas.
Segundo o grupo #Bringbackourgirls, em defesa das famílias das sequestradas, Amina Ali Darsha disse às autoridades que o resto das meninas está sob forte vigilância do Boko Haram em uma área da floresta de Sambisa.
Em abril de 2014, extremistas islâmicos do Boko Haram invadiram uma escola de Chibok e levaram 276 meninas que estavam se preparando para uma prova. Dezenas escaparam nas primeiras horas, mas 219 continuavam desaparecidas.
O sequestro gerou uma onda internacional de condenações e uma campanha que incluiu celebridades, como a primeira-dama americana Michelle Obama. Pouco depois, o presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou o envio de tropas para tentar localizar o grupo de meninas.
No mês passado, familiares identificaram três das estudantes em um vídeo divulgado pela rede de televisão CNN.
VISITA
Nesta quinta, o presidente Muhammadu Buhari disse que eles farão o que for preciso para resgatar as mais de 200 sequestradas. "O resgate de Amina nos deu esperança e é uma oportunidade para conseguir informações vitais".
A declaração foi feita enquanto recebia a menina resgatada e sua filha, nascida no cativeiro. Buhari afirmou também que será uma prioridade fazer com que ela e suas colegas voltem à escola.
"Ninguém na Nigéria pode tolerar a brutalidade do casamento forçado. Todas as meninas têm o direito à educação e de fazer suas escolhas de vida. Amina precisa ser capaz de voltar à escola", disse o presidente.
Depois de recuperar a menina, o Exército informou ter prendido um suposto membro do Boko Haram identificado como Mohammed Hayatu, que diz ser o marido de Amina e pai do bebê de quatro meses.
Muhammadu Buhari fez do combate ao Boko Haram uma de suas bandeiras após vencer a eleição presidencial. Mais de 15 mil pessoas morreram e 2 milhões deixaram suas casas devido ao conflito com a milícia terrorista.
