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Voo da EgyptAir que ia de Paris ao Cairo caiu, diz presidente da França

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Inclui as retrancas atualizadas de AVIÃO-EGITO 2, 3 e 4
DIOGO BERCITO
CAIRO, EGITO, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um Airbus A320 da companhia EgyptAir desapareceu na madrugada desta quinta (19) enquanto sobrevoava o leste do mar Mediterrâneo com 56 passageiros e 10 tripulantes no voo 804, que fazia a rota entre Paris e Cairo.
O presidente da França, François Hollande, informou na manhã desta quinta que a aeronave caiu, e que nenhuma hipótese está sendo descartada na investigação do acidente, incluindo a possibilidade de um atentado terrorista.
O ministro da Avião Civil do Egito, Sherif Fathi, afirmou ser "mais forte" a possibilidade de que um ataque terrorista tenha causado a queda da aeronave do que um acidente aéreo.
Previamente, Fathi afirmou que o Egito continua tratando o incidente como "desaparecimento" até que sejam encontrados destroços do aparelho.
Em entrevista à rede de TV CNN, um diretor da EgyptAir informou que os destroços do avião foram encontrados durante à tarde. Não houve confirmação oficial de equipes de busca, entretanto.
Uma fragata grega encontrou dois grandes objetos de plástico a mais de 300 quilômetros da ilha de Creta, próximo ao local em que o avião desapareceu. Investigadores avaliam que os objetos são parte da aeronave. A Grécia montou uma operação de busca na área ao sul da ilha de Karpathos.
O primeiro-ministro egípcio, Sherif Ismail, disse que as buscas estão em andamento pelo Airbus A320 e que ainda é muito cedo para descartar qualquer hipótese, inclusive um ataque como aquele a que se atribuiu a queda de um avião de passageiros russo sobre a península egípcia do Sinai no ano passado.
A Promotoria do Egito anunciou que abriu uma investigação sobre o desaparecimento do avião. Segundo Fathi, não há informações suspeitas sobre os passageiros do avião, mas estão sendo realizadas investigações sobre isso.
MOVIMENTOS REPENTINOS
Segundo o ministro da Defesa da Grécia, Panos Kammenos, o avião fez "guinadas repentinas" e mergulhou no ar antes de desaparecer dos radares sobre o sul do Mediterrâneo.
"Às 3h39 da manhã (21h39 de quarta, em Brasília) o curso da aeronave era sul e sudeste de Kassos e Karpathos (ilhas)... imediatamente depois entrou no espaço aéreo do Cairo e fez guinadas e desceu como descrevo: 90 graus para a esquerda e 360 graus para a direita", disse o ministro em coletiva.
Segundo o site FlightRadar24, a aeronave, que fazia o voo MS804, parou de enviar sinais ao radar quando estava a 37 mil pés (11.277 metros), por volta das 2h45 locais (21h45 de quarta em Brasília).
SEM CHAMADO DE EMERGÊNCIA
Em entrevista à rede de televisão CNN, o porta-voz da empresa, Ahmed Abdel, disse que os pilotos não fizeram um chamado de emergência e que a aeronave não registrou problemas no trajeto anterior, entre Cairo e Paris.
Ele identificou as 66 pessoas a bordo como 56 passageiros ?incluindo uma criança e dois bebês?, três agentes de segurança, cinco comissários de bordo e os dois pilotos. Inicialmente, a companhia havia informado que a aeronave levava 69 pessoas a bordo.
De acordo com a companhia aérea, no aparelho viajavam 30 passageiros egípcios, 15 franceses, dois iraquianos, um britânico, um canadense, um belga, um português, um argelino, um sudanês, um chadiano, um saudita e um kuwaitiano.
Segundo Abdel, o capitão da aeronave, que não foi identificado, tem mais de 6.000 horas de voo, incluindo 2.000 em Aribus A320. O avião, afirma ele, não levava oficialmente cargas perigosas em seu bagageiro.
O Ministério da Aviação Civil egípcio confirmou que equipes de buscas foram enviadas à região onde houve o último contato com a aeronave. O governo da Grécia enviou uma fragata da Marinha, um avião C-130 e um avião militar EMB-145 para auxiliar nas buscas.
ÚLTIMOS MINUTOS
O departamento de aviação civil da Grécia divulgou um relato detalhado dos momentos que antecederam o desaparecimento da aeronave sobre o espaço aéreo egípcio depois de sobrevoar o território grego.
Segundo os dados divulgados, o voo 804 entrou no espaço aéreo grego às 2h24, no horário local (20h24 em Brasília), momento em que o controle de tráfego aéreo concede permissão para o restante do trajeto.
Às 2h48 o voo foi transferido para o setor de controle de tráfego aéreo seguinte e liberado para sair do espaço aéreo grego. "O piloto estava de bom humor e agradeceu o controlador em grego".
O controle de tráfego aéreo de Atenas tentou fazer contato com a aeronave às 3h27 para fornecer informações sobre a troca de comunicações e controle de Atenas para o controle de tráfego aéreo do Cairo. Apesar dos chamados repetidos, a aeronave não respondeu, momento em que o controlador de tráfego aéreo ativa a frequência de alerta, sem obter resposta da aeronave.
Às 3h29 a aeronave passou sobre o ponto de saída do espaço aéreo grego. Dez minutos depois, o sinal da aeronave se perdeu a aproximadamente sete milhas náuticas a sul/sudeste do ponto KUMBI, dentro da Região de Informação de Voo (FIR) do Cairo.
EGYPTAIR
Esta é a segunda vez neste ano que um avião da EgyptAir é alvo de um desvio de rota inesperado. Em março, outra aeronave da companhia, que ia de Alexandria ao Cairo, foi sequestrado e desviado a Chipre. Na ocasião, o sequestrador agiu por motivo passional e todos as pessoas a bordo foram libertadas sem ferimentos.
No entanto, há o temor de que o sumiço seja o resultado de uma ação terrorista, como a queda de um Airbus A321 de uma companhia russa que deixou o aeroporto de Sharm al-Sheikh rumo a São Petersburgo.
O avião caiu em 31 de outubro na península do Sinai, no Egito, com 224 pessoas a bordo. Segundo o governo russo, a aeronave caiu devido a uma bomba colocada por um dos funcionários do aeroporto egípcio.
A ação foi reivindicada pela filial local da milícia terrorista Estado Islâmico, contra quem os russos combatem na Síria. As autoridades egípcias, porém, negam esta versão.
Espera-se, assim, um golpe ainda mais forte na indústria turística egípcia, já em frangalhos. O país tem lidado com a ausência de visitantes, e seus monumentos têm sido pouco visitados.

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