Insistir no erro não é inteligente, diz ex-ministro de Lula sobre comércio
RENATA AGOSTINI, ENVIADA ESPECIAL*
NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) - O empresário Luiz Fernando Furlan, ex-ministro do governo Lula, vê com bons olhos as primeiras sinalizações dadas pelo chanceler José Serra, que agora também ficará encarregado de ditar parte da política comercial brasileira.
Para Furlan, que é membro do conselho da BRF e presidente do conselho do Lide, a política muda e "a geopolítica também tem de se adaptar".
"É preciso fazer medição e reavaliar", disse o empresário nesta quarta (8) após participar de evento promovido, em Nova York, pelo Lide e pelo Americas Society/Council of The Americas."
Em sua posse como chefe do Ministério de Relações Exteriores, Serra apresentou novas diretrizes para a pasta e prometeu uma mudança radical na política externa do país.
Como ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Furlan capitaneou a expansão das missões comerciais brasileiras no primeiro mandato de Lula (2003-2006).
Ao lado do petista, ajudou, por exemplo, a estreitar relações com países da África, região que Serra estuda cortar postos diplomáticos.
"Se numa empresa você lança 20 produtos, provavelmente a metade deles vai dar certo. A outra metade você terá de 'descontinuar'. Isso se tudo ocorrer em ótimas condições", afirmou Furlan.
ACORDOS
Para ele, Serra acerta ao afirmar que é preciso investir em acordos comerciais bilaterais em detrimento da aposta nas negociações multilaterais.
"Saúdo a mudança. Não quer dizer que não devamos apoiar rodadas negociais na OMC (Organização Mundial do Comércio), mas o tempo é curto", afirmou.
De acordo com Furlan, o Mercosul não pode ser visto como obstáculo e, caso haja resistência dentro do bloco para algum acordo específico, o Brasil deve insistir nas negociações mesmo que sozinho.
"O Brasil pode fazer os acordos e dar prazo para que outros países do Mercosul possam aderir depois", disse.
ABACAXI
Segundo Furlan, Michel Temer recebeu um "superabacaxi" de Dilma Rousseff. Apesar disso, ele diz acreditar que "pequenas vitórias de curto prazo" darão "alento para o futuro".
"Ele começou bem. Compôs uma equipe econômica profissional e que inspira credibilidade", disse.
*A jornalista viajou a convite do Lide
