Cristina Kirchner recorre à Justiça contra processo por venda de dólares
LUCIANA DYNIEWICZ
BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - A ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner entrou nesta terça (17) com uma apelação na Justiça para não ser processada no caso da venda de dólares no mercado futuro a um preço abaixo do de mercado.
Na última sexta-feira (13), o juiz federal Claudio Bonadio havia instaurado um processo contra a ex-mandatária sob a acusação de crime contra a administração pública.
Segundo as investigações, operações financeiras realizadas pelo Banco Central nos últimos meses do mandato de Cristina, no ano passado, causaram um prejuízo de 29 bilhões de pesos (R$ 7 bilhões) aos cofres públicos.
Para Bonadio, é "impensável" que um leilão de uma soma tão vultosa de moeda estrangeira -"que teria claros efeitos políticos e econômicos no futuro imediato"- fosse realizado sem a aprovação da presidente e do "mais alto nível de decisão econômica" do país.
O ex-ministro de Economia e atual deputado nacional Axel Kicilloff e o ex-presidente do Banco Central Alejandro Vanoli também responderão ao processo.
Tanto eles como Cristina já foram convocados a depor sobre o caso. A ex-dirigente se negou a falar, mas entregou um documento em que culpou o atual presidente, Mauricio Macri, e sua política de desvalorização do peso pelo prejuízo.
Kicilloff e Vanoli fizeram o mesmo. O primeiro afirmou, por escrito, que que a ação é "exclusivamente" política e pretende "processar penalmente a política econômica e cambial" do governo de Cristina. Vanoli, por sua vez, disse que o "Banco Central operou contratos de dólares futuros para enviar sinais ao mercado de que não planejava convalidar as expectativas de desvalorização".
O prejuízo com a comercialização de dólares ocorreu porque o Banco Central fechou as operações entre setembro e novembro de 2015 considerando que US$ 1 valeria 10,28 pesos no fim de janeiro de 2016. No mercado financeiro, porém, já se trabalhava com a moeda a 16 pesos. O resultado final de janeiro foi 13,9 pesos, o que obrigou o Banco Central a cobrir a diferença média de 3,6 pesos por dólar.
O caso dos dólares é o mais adiantado na Justiça contra a ex-presidente. Desde que deixou o poder, em 9 de dezembro do ano passado, ela também passou a ser investigada sob suspeita de enriquecimento ilícito e falsificação de documentos públicos.
