Prova da Unesp é concisa e bem contextualizada, dizem professores
PAULO GOMES
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A prova da 1ª fase do vestibular de meio de ano da Unesp, realizada neste domingo (15) teve como marca questões com contexto e "enxutas", segundo professores especialistas em cursos pré-vestibular.
Para Célio Tasinafo, diretor pedagógico da Oficina do Estudante, em Campinas, foi uma prova no "padrão da Unesp", bem estruturada e com contextualização boa na maior parte das questões.
Vera Lúcia da Costa Antunes, representante do cursinho Objetivo, cita que as questões tiveram alternativas curtas, "o que não acontece na prova do fim do ano". Para a professora, a prova teve um nível de dificuldade médio. "A mais difícil foi história e as mais fáceis física e geografia".
Tasinafo diz que a prova estava "enxuta, numa tendência de cobrança de características de autores importantes e de escolas literárias", sobre as questões de português. Outro ponto que exemplifica o caráter compacto foi a parte de inglês, que, como diz o diretor pedagógico, tinha apenas um texto para as sete questões.
Como exemplo da boa estruturação, ele aponta as perguntas de história, que estavam em ordem cronológica dos acontecimentos históricos. Vera Lúcia chama atenção também para a abordagem de viés social em história, como questões que apontavam o papel da mulher no Código de Hamurabi ou o conhecimento da medicina no mundo árabe.
Pela contextualização e concisão, as 4h30 para a realização do exame não foram um problema para os candidatos. "Tempo não foi uma dificuldade", diz Tasinafo.
FILOSOFIA
"Os que ainda tinham a ilusão de fazer prova de filosofia só com interpretação de texto caíram do cavalo", diz Tasinafo. Entre os filósofos presentes nas questões do vestibular, estavam o alemão Friedrich Nietzsche, Francis Bacon e Santo Agostinho.
O diretor pedagógico diz que, como muitas escolas só oferecem a disciplina em uma ou duas séries, os vestibulandos devem ter achado a matéria mais difícil. Vera Lúcia concorda. "O candidato precisaria estar familiarizado com estes autores."
NONSENSE
Apesar dos elogios à contextualização das questões, Tasinafo se surpreendeu com a número 78, de física, por trazer uma hipótese curiosa. "Um filhote de cachorro cochila dentro de uma semiesfera de plástico de raio 10 cm, a qual flutua em uma piscina de águas paradas, totalmente submersa e em equilíbrio, sem que a água entre nela", dizia o enunciado.
O diretor da Oficina do Estudante classificou a situação do exercício, no mínimo incomum, como "bizarra". "Achei estranho", diz, entre risos. "É uma questão original, digamos assim", comenta Vera.
