Oito PMs são presos suspeitos de autoria na série de mortes no Paraná
JULIANA COISSI
CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) - Oito policiais militares estão entre os nove presos nesta sexta-feira (13) suspeitos de terem envolvimento com a série de assassinatos em Londrina, no norte do Paraná, no começo do ano. Outros seis PMs foram conduzidos coercitivamente à delegacia.
As prisões, e também apreensão das armas funcionais dos policiais, acontecem quatro meses após as mortes. Entre a noite de uma sexta e a madrugada de um sábado (dias 29 e 30 de janeiro), 17 pessoas morreram e 20 ficaram feridas na cidade, todas com tiros.
A série de assassinatos, no intervalo de poucas horas, ocorreu depois da morte do policial militar Cristiano Luis Botino, 34, por volta das 20h daquela sexta. Na ocasião, em entrevista à RPC, afiliada da TV Globo, testemunhas disseram ter visto homens vestido de preto, com coletes, passando e dando mais de 30 tiros em casas dos sobreviventes.
Os policiais e o homem preso serão indiciados por homicídio qualificado e fraude processual. Os PMs são suspeitos de alterar os locais de crimes - por exemplo, recolheram cápsulas disparadas e até imagens de câmeras que ajudariam na identificação dos autores.
Além das armas funcionais dos PMs, outras cinco foram apreendidas e passarão por perícia. Dos policiais presos, dois foram indiciados por porte de munição ilegal. Eles pagaram fiança e foram liberados. Os conduzidos à delegacia também foram dispensados.
Em janeiro, na ocasião das mortes, o secretário da Segurança Pública e Administração Penitenciária, Wagner Mesquita, havia dito que a polícia não descartava nenhuma hipótese, inclusive a de policiais envolvidos nos assassinatos.
Em nova entrevista coletiva nesta sexta, concedida em Londrina, Mesquita justificou o motivo de ter levado quatro meses para prender os policiais, dizendo que foi o tempo necessário para as investigações e para a obtenção de provas.
Entre os meios coletados para prova, estão áudios e vídeos. Novos confrontos balísticos devem embasar a investigação. Os assassinatos no fim de janeiro ocorreram depois de uma sequência de policiais mortos no início do ano. Foram cinco vítimas fatais e dois feridos - entidades que representam policiais contabilizaram seis mortos e quatro feridos, na época.
O temor causado pela série de mortes levou a secretaria a mobilizar uma força-tarefa de policiais para reforçar a segurança em Londrina. Quinze dias depois, a equipe foi retirada da cidade. A secretaria não informou o nome dos nove presos.
