Governo francês escapa de moção de censura sobre reforma trabalhista
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O primeiro-ministro da França, Manuel Valls, escapou de um voto de desconfiança do Parlamento em meio ao debate sobre uma reforma das leis trabalhistas do país.
Enquanto o país registra protestos quase diários contra as mudanças propostas pelo governo, e a oposição travava a votação, o governo usou uma medida especial para aprovar a medida sem que ela passasse por votação na Câmara.
Por conta da medida especial, os deputados da haviam convocado a moção de censura contra o governo, mas conseguiram apenas 246 votos para derrubar o governo de Valls. Seriam precisos 288 votos para garantir a dissolução do governo.
Em seu discurso na Câmara, Valls disse ter orgulho da nova lei, e que ela é indispensável para ajudar no progresso social em um mundo globalizado.
A reforma é vista como a mudança mais radical nas leis trabalhistas já proposta por um governo da França. Ela prevê jornadas de trabalho mais longas, maior facilidade para demitir empregados e o enfraquecimento de sindicatos.
A reforma visa, segundo o governo, dar maior flexibilidade às empresas para lutar contra um desemprego superior a 10%.
Ela tem gerado ondas de protestos e pode enfraquecer o governo do Partido Socialista, que pode perder o controle da Presidência e da Câmara nas eleições do próximo ano.
A manutenção do governo na votação desta quinta-feira (12) gerou novos protestos em Paris, em Marseille, em Nantes e em várias outras cidades. A polícia reagiu às manifestações com bombas de gás.
Após pressão do governo, a mudança na legislação agora deve ser debatida no Senado da França.
