Delator de amigo de Kirchner morreu de edema pulmonar, indica perícia
LUCIANA DYNIEWICZ
BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - A autópsia do corpo de Horacio Quiroga, executivo encontrado morto na terça (10) e que havia denunciado uma ligação entre Néstor Kirchner e um empresário suspeito de lavagem de dinheiro, indica que o argentino sofreu uma parada cardiorrespiratória após um edema pulmonar.
O caso, porém, permanece sendo considerado "duvidoso" e as investigações continuarão: "Com os elementos que temos até agora, não descartamos nada. Não temos dados para afirmar que houve uma terceira pessoa no apartamento", afirmou o promotor Santiago Vismara a uma rádio local.
"Segundo a autópsia preliminar, a causa da morte teria sido um edema pulmonar que resultou em uma parada cardiorrespiratória", acrescentou.
Vismara aguarda os resultados dos exames químicos e toxicológicos e também investiga os antecedentes médicos de Quiroga.
O executivo foi encontrado sem vida no banheiro de seu apartamento, em Buenos Aires, pelo filho de 10 anos.
Quiroga fora presidente de duas companhias petroleiras de Lázaro Báez, empresário preso há um mês sob suspeita de lavagem de dinheiro. Em 2013, ele havia denunciado que Báez "recebia indicações e ordens de Néstor Kirchner".
O executivo disse ainda que o ex-presidente Kirchner (morto em 2010) havia enviado dólares às empresas de petróleo de Báez: "Era dinheiro que Néstor Kirchner mandou a Lázaro Báez. Uns US$ 7 milhões [R$ 25 milhões]. Contaram tudo em cima da mesa".
O caso ainda é investigado. À época, a Austral Construções (de Báez) negou irregularidades. As companhias do empresário estão entre as que mais venceram licitações sob o kirchnerismo (2003-2015).
Báez era um dos melhores amigos de Néstor e foi responsável pela construção do mausoléu do ex-presidente.
No início deste ano, um vídeo em que um filho de Báez conta dólares em uma financeira vazou para a imprensa e fez com que a Justiça retomasse investigações sobre seu patrimônio.
Em um programa de delação premiada, Leonardo Fariña, um dos homens que trabalhava para Báez, afirmou à Justiça que, no governo Kirchner, as obras realizadas pela Austral Construções eram superfaturadas. Após Néstor morrer, afirmou, o empresário teria começado a enviar dinheiro para o exterior.
Fariña disse ainda que Cristina Kirchner, sucessora de Néstor, não tinha conhecimento de todos os movimentos financeiros do marido e, por isso, após a morte de Néstor, passou a desconfiar que Báez lhe roubava.
