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Funcionários da USP entram em greve a partir desta quinta

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Funcionários da USP (Universidade de São Paulo) entram em greve por tempo indeterminado a partir desta quinta-feira (12). As principais reivindicações são contra o arrocho salarial, o desmonte da instituição e pela defesa do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores).
O diretor do sindicato, Magno de Carvalho, afirmou que a paralisação dos funcionários também conta com o apoio dos estudantes, que estão com indicativo de greve. As comunidades universitárias da Unicamp, USP e Unesp farão uma manifestação nesta quinta em frente à sede do Cruesp (Conselho dos Reitores das Universidades Estaduais Paulistas), a partir das 13h.
"A paralisação não é apenas por uma questão salarial, mas principalmente pelo desmonte que está acontecendo na USP. Ele [o reitor da USP, Marco Antonio Zago] está terceirizando os restaurantes, os serviços de manutenção, fechando vagas nas creches e desmontando a Prefeitura da USP", disse Carvalho.
A proposta de reajuste dos servidores da USP, com data-base em 1° de maio, é de 12,8%, sendo 9,8% de reajuste inflacionário e 3% de recuperação de perdas anteriores. Carvalho disse que houve uma reunião com o Cruesp, mas que o sindicato não recebeu nenhum retorno do conselho.
O Cruesp afirmou nesta quarta-feira (11) que analisa o assunto com "grande responsabilidade" e está "avaliando novos indicadores da economia" antes da próxima reunião com o Fórum das Seis [que congrega as entidades sindicais e estudantis da Unesp, Unicamp, USP e do Centro Paula Souza (Ceeteps)] na próxima segunda (16).
Carvalho salienta que uma parte dos funcionários saíram da USP por não aguentar a carga de trabalho devido ao acúmulo de funções. "A reitoria abriu processo de demissão voluntária que resultou na saída de 1.300 funcionários e outros 500 saíram por outras razões, como o acúmulo de funções". Além disso, ele diz que a reitoria quer "acabar com os funcionários que trabalham com pesquisa e que atuam diretamente com professores". "Isso afeta o ensino e é um desmonte total. Sabemos que não será só isso."
Outro motivo para a greve dos funcionários, segundo Carvalho, foi o pedido de desocupação do imóvel ocupado pelo sindicato há mais de 50 anos. De acordo com o diretor, a retoria mandou um ofício dando prazo de 30 dias para que os funcionários deixassem o prédio que fica próximo à antiga reitoria e da ECA (Escola de Comunicação e Artes), na Cidade Universitária. "O prazo terminou na última sexta [6] e não sei se eles estão tomando alguma medida judicial, mas nós não vamos sair. Tomamos essa decisão com mais de mil pessoas durante assembleia. A resistência não será feita sozinha. Teremos apoio dos estudantes da USP e de movimentos sociais."
Ainda segundo Carvalho, a reitoria quer transformar a USP em um "modelo de universidade americana, com a contratação de empresas para administrar as faculdades e os serviços de manutenção". Sobre os hospitais da instituição, o diretor do Sintusp diz que desde 2014 o reitor tentar desvincular o HU (Hospital Universitário) e o HRAC (Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais), de Bauru.
"O HU não atende somente à USP, mas também aos moradores da região do Butantã e do entorno. Isso foi uma conquista. O HRAC é um hospital que oferece tratamento especializado para casos de malformações craniofaciais e síndromes raras que o reitor que passar para a secretaria da Saúde".
Sobre a terceirização dos restaurantes, Carvalho afirma que dos cinco existentes, apenas dois ainda não foram terceirizados. "A ideia do reitor é terceirizar e cortar os funcionários. A reitoria já acabou com mais de 400 vagas de auxiliares de cozinha. É um desmonte total".
A reportagem entrou em contato com a reitora, mas não recebeu retorno.

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