Carolina do Norte vai à Justiça para defender lei criticada por grupos LGBT
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O governo da Carolina do Norte decidiu ir à Justiça contra o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, órgão que confrontou uma lei estadual que determina o acesso a banheiros públicos seguindo o sexo biológico.
Em março, o Estado se tornou o primeiro no país a estabelecer que transgêneros usem o banheiro de prédios e escolas públicos de acordo com o sexo registrado na certidão de nascimento da pessoa, e não seguindo a identidade de gênero.
Vanita Gupta, uma das principais advogadas de direitos civis do Departamento de Justiça enviou uma carta, na semana passada, às autoridades da Carolina do Norte acusando a lei estadual de violação de direitos civis e alertando que o Estado poderia se ver frente a um questionamento judicial caso mantivesse a regra em vigor até depois desta segunda-feira (9).
Frente à ameaça, as autoridades estaduais resolveram processar Gupta e a secretária de Justiça, Loretta Lynch, por irem "longe demais" ostensivamente e sem embasamento.
"Estamos levando a administração de Obama à Justiça. Eles estão atropelando o Congresso, tentando reescrever a lei e as políticas para todo o país, não apenas para a Carolina do Norte", escreveu o governador do Estado, Pat McCrory, em uma rede social, nesta segunda (9).
GOVERNADOR PAT
Com a lei em vigor, a Carolina do Norte se viu ameaçada de perder bilhões em ajuda financeira federal.
O governador McCrory, republicano, diz ter ido à Justiça para garantir a verba até "que a Justiça esclareça a lei federal e resolva essa questão nacional".
POLÊMICA
A lei em questão tem sido criticada por grupos LGBT. Músicos famosos anunciaram o cancelamento de shows no Estado, e grandes empresas suspenderam investimentos na região.
Diferentemente da Carolina do Norte, outros Estados americanos já determinaram que as escolas devem liberar acesso aos banheiros de acordo com a identidade de gênero.
Além da questão específica sobre o uso dos banheiros, o país se vê em meio a outras polêmicas envolvendo os gays.
No mês passado, o Mississippi sancionou uma lei que permite que empresas públicas e privadas neguem atendimento a homossexuais com base nas crenças religiosas de seus empregados.
