Avós da Praça de Maio denunciam fim de órgão aliado por governo Macri
LUCIANA DYNIEWICZ
BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - O movimento argentino Avós da Praça de Maio denunciou nesta segunda-feira (9) que o governo federal desarticulou um departamento público que colaborava com a identificação de filhos de desaparecidos durante a ditadura.
A entidade soube que o órgão foi suprimido pelo Diário Oficial do Estado, que publicou nesta segunda (9) o novo organograma do Ministério de Segurança. Nele, não aparece a diretoria de direitos humanos.
"Essa área tinha um papel muito importante na pesquisa de documentos e na produção de relatórios para auxiliar nas investigações de crimes contra a humanidade", afirmou a entidade em uma carta publicada em seu site.
A direção de recursos humanos havia sido criada em 2009 após um tratado entre a associação das avós e o governo de Cristina Kirchner ser fechado na Comissão Interamericana de Direitos Humanos. O acordo tirou da alçada direta das forças de segurança a tarefa de identificar os filhos de desaparecidos.
Segundo o comunicado das Avós, a condenação, em 2005, de um policial que forjou as amostras de um dos netos indicou a necessidade de que o trabalho de identificação fosse passado a civis.
"A decisão tomada pelo Ministério da Segurança [de desarticular o departamento] envolve um sério revés nos padrões alcançados pelo Estado Nacional para a investigação e repressão de crimes", acrescenta o documento.
A assessoria de imprensa da entidade informou estar tentando marcar uma reunião com a ministra de Segurança da Argentina, Patricia Bullrich. Caso a diretoria não seja retomada, o Estado deverá ser denunciado na Comissão Interamericana de Direitos Humanos pelo não cumprimento do acordo de 2009.
O Ministério de Segurança informou que, por ora, não comentará o assunto. Na última sexta (6), o presidente Mauricio Macri afirmara, em coletiva de imprensa a jornalistas estrangeiros, que seu governo daria continuidade às políticas de direitos humanos.
De acordo com as Avós da Praça de Maio, cerca de 500 filhos de desaparecidos foram entregues a pessoas ligadas à ditadura entre 1975 e 1979. Desses, 119 já foram localizados.
