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Vice-líder de Assembleia da França renuncia após denúncias de assédio

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Vice-presidente da Assembleia Nacional da França (a Câmara Baixa do país), o deputado Denis Baupin renunciou ao cargo após acusações de assédio e agressão sexual por quatro membros de seu antigo partido. Ele nega ter cometido os crimes.
Segundo seu advogado, Baupin irá mover uma ação judicial por difamação.
A renúncia havia sido pedida pelo presidente da Assembleia, Claude Bartolone.
De acordo com a imprensa francesa, quatro mulheres do partido Europa Ecologia-Os Verdes (EELV) acusam Baupin de assédio e agressão sexual: Sandrine Rousseau, Isabelle Attard, Elen Debost e Annie Lahmer. Baupin deixou o partido em abril deste ano.
DENÚNCIAS
Recentemente, Sandrine Rousseau, atual porta-voz do EELV, concedeu entrevista ao Mediapart e à France Inter sobre abusos que teriam ocorrido em outubro de 2011. De acordo com ela, durante o intervalo de uma reunião da agremiação, Baupin a teria empurrado contra uma parede, colocado a mão em seus seios e tentado beijá-la à força.
Ela disse que não denunciou o abuso na época pois passava por uma situação política delicada: tinha acabado de chegar à direção do partido e não tinha uma longa história na sigla. Além disso, afirmou, "fui tomada por tudo o que as mulheres dizem quando são vítimas de violência. Na hora, elas se culpabilizam, se sentem frágeis, isoladas. E foi tudo isso que senti naquele momento e que me impediu de denunciá-lo".
Ainda assim, Rousseau levou o caso a dois dirigentes do partido, que comentaram que a situação era "comum". "Ah, ele começou de novo?", teria dito um deles.
Rousseau afirma que foi compelida a vir a público sobre o caso após ver uma foto de Baupin em um evento pelos direitos das mulheres. "Para mim foi um choque. Ele não é um defensor das mulheres."
Denis Baupin
Já Isabelle Attard, que se retirou do EELV em dezembro de 2013, denunciou, ter sofrido "assédio quase diário por meio de SMS provocadores e lascivos" do deputado por quase um ano e meio, a partir de 2012.
Elen Debost, vice-prefeita de Le Mans, e Annie Lahmer, vereadora na região de Paris, também disseram ter sido vítimas de comportamentos inadequados.
Segundo Debost, ela recebeu mais de 150 SMS de conteúdo sexual de Baupin em 2011. Ao levar o caso ao partido, no entanto, ela teria sido desestimulada a denunciá-lo.
Já o caso de Lahmer teria ocorrido há mais de 15 anos.
Na França, a prescrição dos crimes de assédio e agressão sexuais é de três anos.

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