Leia a última edição Siga no Whatsapp
--°C | Apucarana
Euro
--
Dólar
--
Geral
publicidade
GERAL

PM entra no Centro Paula Souza, retira alunos e acaba com ocupação

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Telegram
Siga-nos Seguir no Google News
Grupos do WhatsApp

Receba notícias no seu Whatsapp Participe dos grupos do TNOnline

ARTUR RODRIGUES
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Polícia Militar cumpriu na manhã desta sexta-feira (6) reintegração de posse e retirou os alunos que ocupavam o Centro Paula Souza, na região central de São Paulo. A execução do mandado teve início por volta das 6h40.
O prédio da entidade responsável pelas Etecs (escolas técnicas do Estado) estava ocupado desde o último dia 28 por estudantes que reivindicam o fornecimento de merenda.
O cerco da PM foi rompido pelos manifestantes e houve confusão. Vários alunos foram arrastados para fora do prédio.
O estudante João Pedro Constantino, 18, que estava dentro da unidade, afirmou que os estudantes preferiram permanecer dentro do local para mostrar que era possível resistir. "Quando a PM chegou lá dentro foi totalmente truculenta, saiu carregando a gente", disse.
Parte dos alunos que deixaram o Paula Souza seguiu em protesto pelas ruas do centro da capital e fechou no sentido centro-bairro a avenida Tiradentes, onde fica a Etesp (Escola Técnica Estadual de São Paulo). Os alunos queriam entrar na escola, mas foram impedidos pela PM, que utilizou cassetetes para conter os estudantes.
Quando a Tropa de Choque chegou ao centro, por volta das 5h, estudantes aguardavam em cadeiras escolares cantando músicas de protesto. "De repente chega a PM com a cara de mau, a bomba de gás, de efeito moral", cantavam os jovens.
O batalhão com dezenas de homens vestidos com exoesqueletos chegou com ao menos três veículos blindados, além de vários carros de polícia.
Por volta das 5h30, eles bloquearam a rua dos Andradas, onde fica o centro. "Não tem arrego, você tira a minha merenda e eu tiro o seu sossego", gritavam os estudantes. Moradores dos prédios ao redor gritavam reclamando por silêncio, ao que eram respondidos pelos jovens: "ei, burguês, a culpa é de vocês".
Na tarde quinta-feira (5), o governo Geraldo Alckmin (PSDB) conseguiu reverter em segunda instância decisão judicial sobre a reintegração. A sentença exigia que a desocupação ocorresse sem o uso de armas letais ou não letais pela Polícia Militar e obrigatoriamente com a presença do secretário da Segurança, Alexandre de Moraes. O governo foi então à Justiça sob o argumento de que a decisão ou não de usar armas cabe à PM.
No pedido para reverter as exigências, o governo também alegou que a ocupação vem causando "severos transtornos para o Centro Paula Souza".
O Centro Paula Souza afirma que todas as Etecs passaram a contar com alimentação -antes, 10% delas não tinham.
LITÍGIO
O governo Geraldo Alckmin (PSDB) conseguiu reverter em segunda instância decisão judicial sobre a reintegração de posse na sede do Centro Paula Souza, ocupado por estudantes desde a semana passada.
A sentença exigia que a desocupação ocorresse sem o uso de armas letais ou não letais pela Polícia Militar e obrigatoriamente com a presença do secretário da Segurança, Alexandre de Moraes. O governo foi então à Justiça sob o argumento de que a decisão ou não de usar armas cabe à PM.
As duas exigências foram impostas pelo juiz da Central de Mandados, Luis Manuel Pires, para que a Secretaria da Segurança pudesse retirar os alunos do espaço no centro da capital. A pasta considerou as exigências "ilegais".
O prédio do Centro Paula Souza está ocupado desde quinta-feira (28) por estudantes que reivindicam o fornecimento de merenda nas Etecs (escolas técnicas). A entidade é responsável pelas escolas técnicas do Estado.
DECISÃO
O desembargador Rubens Rihil, da 1ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça, deu razão ao governo e afirmou que o juiz de primeira instância "extrapolou" o que havia sido estabelecido em decisão que concedia a reintegração de posse. "A exigência da presença física do senhor secretário da Segurança Pública extrapolou, em muito, o que fora anteriormente estabelecido. Ademais, nos moldes como proferida, a decisão administrativa resvala em ingerência em outro Poder do Estado, o que deve ser evitado", escreveu o desembargador.
O magistrado Rihil também afirmou que "caberá ao comandante da operação de reintegração de posse analisar a conveniência ou não do uso da força e dos recursos necessários, na proporção adequada para o cumprimento da liminar, tendo-se em vista, sempre, a preservação do patrimônio e a integridade física dos envolvidos, tais como policiais militares, alunos, transeuntes, dentre outros".
POLÊMICA
Especialistas ouvidos pela Folha de S.Paulo sobre o impasse entre a Secretaria da Segurança Pública e o juiz Luis Manuel Pires, da central de mandados do Tribunal de Justiça, se dividem sobre a legalidade das exigências do magistrado e o descumprimento da ordem judicial pela Secretaria da Segurança Pública.
Para Luciano de Souza Godoy, professor da FGV-SP e ex-procurador do Estado, houve interferência do Poder Judiciário nas atribuições do Executivo. "É a polícia que tem a atribuição constitucional, a competência de dosar o tamanho da força que vai ser usada no cumprimento da ordem judicial. O secretário [de Segurança] está certo."
Godoy entende que "não cabe ao juiz administrar a forma como a polícia vai atuar para fazer o cumprimento da decisão". Segundo ele, a posteriori, é possível ser apurado se a polícia agiu de forma abusiva ou não.
"Eu nunca vi [um juiz ordenar a presença de um secretário de Estado]. O juiz determina a reintegração de posse, pode até fazer recomendações, mas a polícia tem uma competência constitucional para atuar. Acho complicado exigir a presença de uma figura que representa o primeiro escalão do Executivo", conclui.
Já André Ramos Tavares, professor de direito constitucional da PUC-SP e de direito econômico da USP, essa "é uma decisão que precisa ser cumprida, é legítima, a princípio. Não acho que exista violação de poderes".
Para Tavares, neste caso, a palavra final é do Judiciário. "O magistrado entende que aquela é a medida mais oportuna para aquele momento. Ele não está dizendo que a polícia não pode nunca usar armamento, não está interferindo na tática da polícia. É uma decisão para um caso concreto a partir de uma avaliação concreta."
Segundo Tavares, a Secretaria da Segurança Pública deveria recorrer da decisão do juiz, mas ele não a considera ilegal, como disse o Executivo. "Nessas situações, sempre existe um elemento técnico que não faz parte, supostamente, do arcabouço do juiz. Então, nesse caso, provavelmente a PM está dizendo que quem tem capacidade de averiguar as necessidades do momento é, de fato, a PM."
Tavares acha que é muito difícil prever, inclusive para a própria PM, qual é a medida da força que vai ser necessária numa situação de possível confronto. "Espera-se que a polícia tenha capacidade de saber quando usar armas ou não. Mas hoje temos um receio disso. Talvez o juiz tenha receio de que essa preparação exista", disse.

Gostou da matéria? Compartilhe!

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Email
Adicionar como fonte preferida no Google

Últimas em Geral

publicidade

Mais lidas no TNOnline

publicidade

Últimas do TNOnline

TNOnline TV