Após invasão sem mandado, Paula Souza amanhece sem presença da PM
PAULO SALDAÑA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um dia depois de a Justiça considerar ilegal a entrada da PM na sede do Centro Paula Souza, ocupada por estudantes desde quinta-feira (28), o local amanheceu praticamente sem a presença de policiais.
As ruas do entorno do complexo, na região central, que na segunda-feira (2) ficaram interditadas estão todas liberadas nesta terça (3).
Desde às 7h servidores permanecem na porta do centro, aguardando a possibilidade de serem liberados.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública informou na noite de segunda, a polícia não deve entrar na unidade novamente para escoltar os funcionários. A ação foi considerada ilegal pela Justiça porque a pasta não tinha mandado específico que autorizava a entrada no prédio -apesar de já haver decisão pela reintegração de posse.
A decisão de a polícia entrar no prédio partiu do secretário de Segurança Pública, Alexandre de Moraes. Homem forte no governo Geraldo Alckmin (PSDB), Moraes participou pessoalmente da ação considerada ilegal pelo Tribunal de Justiça.
Entre os trabalhadores, o clima é de indignação. "Alem de salários, todas as licenças ou contratações dependem de nós e de documentos que estão no prédio", diz a assistente administrativa Paula Dionísio, 28.
Ela trabalha no setor de recursos humanos. "O problema da merenda vai acabar prejudicando muito mais, inclusive as aulas, contratação de professores".
Um grupo menor de estudantes, com relação ao dia anterior, passou a noite no local. Eles vão hoje novamente fazer uma assembleia para decidir se os servidores poderão entrar.
Os estudantes reivindicam entrega de merenda em todas as Etecs (escolas técnicas), geridas pelo Paula Souza. A ocupação começou na ultima quinta-feira.
OUTRO LADO
Segundo o porta-voz da PM, major Emerson Massera, a corporação somente entrou no prédio para garantir que os funcionários pudessem acessar o local. "A PM não tirou ninguém, mas (entrou na sede) simplesmente para possibilitar que os funcionários pudessem trabalhar. Não teve relação com a decisão de reintegração".
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública disse que o ingresso da polícia no prédio foi "para acompanhar e garantir a segurança dos funcionários e professores que chegaram para trabalhar no prédio administrativo que não estava invadido".
Após a ação da PM, os funcionários entraram no prédio. Já os policiais se posicionaram no hall e ficaram frente a frente com os alunos, que fizeram provocações à tropa e gritaram palavras de ordem contra o governo do Estado e a PM. Às 19h45, os policiais deixaram o local sem cumprir a reintegração de posse.
