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Bombardeio a hospital afegão não foi crime de guerra, diz Pentágono

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Dezesseis militares foram disciplinados após participação no bombardeio dos EUA que matou 42 pessoas em um hospital da ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) em Kunduz, no Afeganistão, em outubro do ano passado. No entanto, eles não responderão criminalmente, de acordo com o Pentágono.
Segundo as autoridades norte-americanas, o ataque resultou de erros humanos e de falhas de procedimento e de equipamentos. Os militares envolvidos na operação -seus nomes não foram revelados- não estavam cientes de que estavam atacando um hospital, argumentou o governo, e por isso não cometeram crime de guerra.
Em novembro, os Estados Unidos revelaram que a equipe havia sido enviada para atacar uma central de comando do Taleban a cerca de 400 metros do hospital. No entanto, após problemas nos sensores de alvo da aeronave, os militares resolveram agir com base na descrição física do local, bombardeando o hospital por engano por quase meia hora.
"Foi uma situação extrema, complicada pela fatiga dos militares", disse o general Joseph Votel em conferência de imprensa. Ele chefiava o Comando de Operações Especiais dos EUA na ocasião.
De acordo com Votel, o hospital estava em uma lista das Forças Armadas que o protegia de ser alvo de ataques. No entanto, a equipe que realizou a operação não teve acesso à listagem pois foi convocada com pouca antecedência e o sistema aéreo da aeronave não estava com os dados atualizados.
Para o Pentágono, ainda que os investigadores tenham concluído que houve falha humana, as ações não configuraram crime de guerra. "A classificação de crime de guerra normalmente é reservada a ações intencionais, visar intencionalmente civis ou objetos e locais protegidos", disse Votel. Ele voltou a afirmar que familiares da vítima serão indenizados.
Entre as punições administrativas tomadas contra os militares, estão cartas de reprimenda, remoção de cargo de comando e suspensões.
Após o anúncio, a Médicos Sem Fronteiras disse esperar uma investigação imparcial e independente sobre o caso. Para a ONG, a punição anunciada não condiz com a proporção de mortes, ferimentos e destruição provocados. "A inexistência de responsabilização significativa manda um sinal negativo às partes envolvidas no conflito e não ajuda a deter futuras violações de guerra".
Segundo Meinie Nicolai, presidente da MSF, a não intencionalidade não exime os militares de serem responsabilizados por suas ações em campo de batalha.

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