Congresso cubano reelege Raúl Castro e frustra expectativas sobre sucessor
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ditador Raúl Castro foi reeleito líder do Partido Comunista de Cuba para um segundo mandato de cinco anos. Outros veteranos manterão suas posições no topo da hierarquia política do país, frustrando as expectativas de que surgiriam pistas sobre a sucessão de Raúl no 7º Congresso do Partido Comunista, que termina nesta terça (19).
Além de continuar como chefe de governo, Raúl, 84, seguirá como chefe de Estado na posição de primeiro-secretário do partido, o cargo mais importante do país. José Ramón Machado Ventura foi mantido como o segundo-secretário por mais um mandato, afastando as especulações de que surgiria um novo número dois.
A grande expectativa era que surgissem indicações sobre a sucessão de Raúl, que anunciou que deixará a presidência em 2018. Ele comanda o país desde a saída de cena do irmão Fidel por problemas de saúde, em 2006. A reeleição de Raúl como líder do partido indica que ele deve ficar no poder mesmo após deixar a presidência. O número dois, Machado Ventura, 85, é conhecido como um defensor da ortodoxia comunista e uma voz contra as principais recentes reformas econômicas no país.
O atual primeiro vice-presidente, Miguel Díaz-Canel, 55, é o primeiro na linha sucessória para chefiar o governo a partir de 2018 e também costuma ser apontado como nome forte entre os candidatos a liderar o partido após a saída da chamada "geração histórica", que participou da revolução de 1959.
Tido como um burocrata formado nas fileiras do Partido Comunista e leal a Raúl Castro, ele também faz parte do poderoso Comitê Central. Para Jorge Domínguez, especialista em Cuba da Universidade Harvard, Díaz-Canel e outros "jovens experientes" da cúpula cubana são os que estão mais bem posicionados para a sucessão. Outros nomes fortes são o chanceler Bruno Rodríguez e o ministro da Economia, Murillo Jorge, afirma.
No discurso de abertura do congresso, no sábado (16), Raúl anunciou que serão feitas reformas na Constituição nos próximos anos para incluir as reformas em curso no país, como a permissão para empreendimentos privados e mudanças na cúpula do regime.
A aprovação das reformas seria por meio de referendo popular. Raúl propôs ainda o teto de 60 anos como idade máxima para ingressar no Comitê Central e de 70 para exercer cargos de direção. Os mandatos seriam limitados a dois de cinco anos cada.
"Esta proposta permitirá garantir o rejuvenescimento sistemático de todo o sistema de direção do partido", disse. Segundo o mandatário, toda a reforma passará pela Assembleia Nacional e por referendo popular, embora não tenha dado detalhes sobre como será esta consulta.
Fidel Castro, líder da Revolução Cubana que fará 90 anos em agosto, compareceu ao encerramento do congresso trajando abrigo esportivo, segundo a imprensa local.
Acompanhado de seu irmão, Fidel foi ovacionado de pé pelos mil delegados do Partido Comunista e convidados reunidos desde sábado (16) no Palácio das Convenções. Esta é a segunda vez que Fidel é visto em público nos últimos 11 dias, depois de falar em uma escola no dia 7 de abril.
