Peso desvalorizado beneficia parentes de líder argentino, diz Cristina
LUCIANA DYNIEWICZ
BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - A ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner disparou nesta segunda-feira (18) denúncias contra políticos ligados ao atual mandatário, Mauricio Macri, e a família dele.
Cristina escreveu em sua conta no Twitter que a Chery-Socma, empresa do setor automobilístico de Franco Macri -pai do presidente-, comprou um total de US$ 8 milhões (quase R$ 29 milhões) no mercado futuro no fim do ano passado.
A afirmação foi feita após um programa de televisão do canal C5N (do empresário aliado ao kirchnerismo Cristóbal López) revelar, na noite de domingo (17), uma lista com o nome de pessoas que teriam supostamente se beneficiado com a desvalorização do peso promovida por Macri em dezembro.
De acordo com o programa, a família de Macri, políticos e amigos próximos a ele fecharam contratos em outubro porque tinham informações privilegiadas -sabiam que, se Macri fosse eleito, desvalorizaria a moeda.
"Pergunta: quando eles compraram esses milhões de dólares, sabiam que haveria desvalorização se [Macri] ganhasse as eleições, enquanto o candidato negava na TV?", escreveu Cristina Kirchner.
Também foram citados no programa televisivo Nicolás Martín Caputo e José María Torello, amigo e assessor do dirigente, respectivamente, além dos grupos que publicam os jornais "Clarín" e "La Nación" -Cristina colocava esses veículos entre os maiores inimigos de sua gestão.
Na semana passada, a ex-presidente teve de se apresentar à Justiça para depor sobre o caso dos dólares no mercado futuro. Ela se recusou a falar, mas entregou um documento em que culpa Macri pelo prejuízo causado pela venda da moeda a um valor inferior ao de mercado.
O juiz responsável pelo caso, Claudio Bonadio, calcula que as perdas causadas pelas operações financeiras possam alcançar 77 bilhões de pesos (cerca de R$ 20 bilhões).
