Em um ano, prefeituras aumentam a contratação de estagiários em 26%
BRUNO VILLAS BÔAS
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - As prefeituras espalhadas pelo país aumentaram em 26% o número de estagiários em 2015, na comparação ao ano anterior, mostram dados divulgados pelo IBGE na manhã desta sexta-feira (15).
Segundo a pesquisa Munic (Perfil dos Municípios Brasileiros) de 2015, o número de estagiários na administração direta e indireta municipal teve um salto de 134.040 em 2014 para 168.588 no ano passado.
O crescimento ocorreu em 1.360 das 5.570 prefeituras acompanhadas pela pesquisa, ou seja, uma de cada quatro.
Segundo Vânia Pacheco, gerente da pesquisa do IBGE, o número de estagiários vem crescendo na administração pública de maneira geral, como ocorreu nas empresas do setor privadas.
"É uma mão de obra válida e preciosa. É barata também, tem esse fator. Grandes empresas contratam estagiários há muito tempo e a gestão pública vem num crescente nesse sentido", disse a gerente.
Na Prefeitura de Senador Canedo (GO), por exemplo, o número de estagiários cresceu de quatro para 105. O motivo seria a necessidade de atender ao desenvolvimento da cidade.
"Precisamos dessa mão de obra especializada em administração, engenharia, direito. O que não sabemos agora é se vamos conseguir renová-los com a crise", disse Rejane Calixto, chefe de gabinete da prefeitura.
Senador Canedo foi considerada pela consultoria Urban System como uma das cidades mais desenvolvidas no país com até 100.000 habitantes, ocupando o quatro lugar no ranking.
CORTES
Ao mesmo tempo em que cresceu o número de estagiários, o número de trabalhadores "sem vínculo permanente" (trabalhadores temporários) encolheu 2% no ano passado. Foram 29 mil a menos.
Na prática, a redução dos "sem vínculo permanente" compensou o aumento dos estagiários. O total de pessoas ocupadas nas prefeituras cresceu apenas 0,3% em 2015, para 6,5 milhões de pessoas.
Numa visão mais longa, de 2005 a 2015, o percentual de servidores municipais passou de 2,6% para 3,2% da população do Brasil. O patamar de 2015 é o mesmo do visto em 2015 (3,2%).
