Merkel permite ação contra humorista que satirizou presidente da Turquia
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O governo alemão aceitou um pedido da Turquia para permitir a abertura de uma ação criminal de injúria contra o comediante de TV Jan Boehmermann, afirmou a chanceler Angela Merkel nesta sexta-feira (15).
Há duas semanas, em seu programa no canal público alemão ZDF, o humorista recitou um poema satírico sobre o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, o que gerou reação de Ancara. Na última semana, o governo da Turquia pediu que Boehmermann seja processado, mas, de acordo com a lei alemã, o governo de Merkel precisa aprovar a permissão para a abertura de ações por insultos a chefes de Estado.
Merkel ressaltou que a deliberação "não significa um pré-julgamento da pessoa afetada nem uma decisão sobe os limites da liberdade da arte, de imprensa ou de opinião" e sublinhou a independência do poder judiciário e a presunção da inocência.
A chanceler, no entanto, afirmou que o governo quer revogar o artigo do Código Penal alemão que fala de "injúria contra órgãos e representantes estrangeiros" e que prevê até cinco anos de prisão. Segundo a mandatária, a lei é "dispensável no futuro".
Boehmermann recitou o poema em seu programa de TV para ilustrar o que, segundo ele, não seria permitido na Alemanha. No fim de março, a Turquia também se queixou de uma outra paródia satirizando Erdogan, exibida em 17 de março pelo programa "Extra 3", do canal público regional NDR.
Ancara pediu a retirada do vídeo na internet e convocou para consultas o embaixador alemão na Turquia, Martin Erdmann, mas não entrou na Justiça contra a sátira.
No dia seguinte à exibição, a ZDF retirou de seus arquivos na internet o vídeo do poema de Boehmermann, mas o canal diz não ter violado a lei. Para o diretor da emissora, Thomas Bellut, Böhmermann o programa "foi um pouco pesado, um pouco longe demais", mas disse "estar do lado" do comediante.
O pedido da Turquia para autorizar a abertura do processo representava uma escolha difícil para Merkel, que conta com a Turquia para reduzir o afluxo de migrantes para a Europa. Ao autorizar o andamento do caso, será acusada de se dobrar a Erdogan, especialmente por causa da dependência criada após a assinatura do acordo entre Ancara e União Europeia para conter a chegada de refugiados; Caso o rejeitasse, poderia ser vista como uma líder que interfere no Poder Judiciário.
