Abin diz ver risco em tuíte ligado ao Estado Islâmico sobre Brasil
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A Abin (Agência Brasileira de Informações) afirmou nesta quinta (14) que um tuíte de um membro da facção terrorista Estado Islâmico sobre o Brasil, publicado em novembro de 2015, representa risco de segurança para o país.
A conta atribuída a Maxime Hauchard, um cidadão francês de 22 anos que aparece em vídeos do Estado Islâmico decapitando reféns, dizia que "o Brasil é o próximo" e que a facção podia atacar "esse país de merda".
A publicação, amplamente divulgada, foi feita em 17 de novembro, quatro dias após os atentados que deixaram 130 mortos em Paris.
A conta, que a Folha de S.Paulo monitorou, foi desativada no mesmo dia pela administração do Twitter e continua fora do ar. Sua legitimidade não foi confirmada na época -há diversas fotos de Hauchard circulando na rede, e mensagens desse tipo são uma ferramenta de propaganda do EI para ampliar sua rede.
Nesta quinta-feira, o diretor de Contraterrorismo da Abin, Luiz Alberto Sallaberry, disse em evento no Rio que a mensagem eleva a probabilidade de ataque ao país.
"A probabilidade de o país ser alvo de ataques terroristas foi elevada nos últimos meses, devido os recentes eventos terroristas ocorridos em outros países e ao aumento do número de adesões de nacionais brasileiros à ideologia do Estado Islâmico", disse em palestra na Feira Internacional de Segurança Pública e Corporativa.
Sallaberry afirmou ainda que há no país pessoas que juraram, pela web, lealdade ao Estado Islâmico. "Não estou dizendo que vá acontecer um atentado. Estou dizendo que é a primeira vez que a probabilidade aumentou sobremaneira em nosso país", disse o diretor da Abin.
Questionado após a palestra, Sallaberry afirmou que, apesar da mensagem, a agência não constatou, nos cinco meses desde então, a vinda ao país de nenhum integrante do Estado Islâmico nem a movimentação, dentro do Brasil, de alguém ligado ao grupo.
Tampouco foi constatada a existência de uma célula terrorista no país.
Reportagem da Folha de S.Paulo publicada em março mostra a existência de uma ampla rede de simpatizantes do EI na internet profunda (que buscadores não alcançam), e que homens que se apresentam como recrutadores da facção buscam brasileiros.
O monitoramento de possíveis atividades terroristas no Brasil é feito pela Abin, por agentes da Polícia Federal e do Exército. Sallaberry ressalta a importância da troca de informações entre agências.
A Abin já afirmou que, para os Jogos Olímpicos, a preocupação são os "lobos solitários", que agem sem coordenação central, muitas vezes por inspiração. "É a principal ameaça dos jogos", disse.
