Policial que espancou comerciante em loja de tapete tem prisão decretada
GUILHERME BRENDLER
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Justiça de São Paulo decretou nesta quinta-feira (14) a prisão do investigador de polícia José Camilo Leonel, 51. A decisão é da juíza Maria Priscila Ernandes Veiga Oliveira, da 4ª Vara Criminal de São Paulo.
Em janeiro deste ano, Camilo espancou e ameaçou com uma arma o comerciante Navid Saysan, 47, dono de uma loja de tapetes nos Jardins (zona oeste).
O policial foi até a loja de Saysan a pedido da estudante Iolanda Delce dos Santos, 29, que havia se arrependido da compra de um tapete persa de R$ 5.000, realizada em dezembro do ano passado, e queria o dinheiro de volta.
Em março, Camilo e Iolanda foram indiciados pela Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo. Ele foi enquadrado sob suspeita de cometer quatro crimes: injúria, constrangimento ilegal, falsidade ideológica e corrupção passiva. Ela foi indiciada sob a acusação de constrangimento ilegal, falsidade ideológica e exercício arbitrário das próprias razões -"fazer justiça com as próprias mãos".
O caso ganhou repercussão depois que o programa "Fantástico", da TV Globo, exibiu imagens da câmera de segurança da loja de tapetes. Camilo aparece agredindo o comerciante com socos e chutes, além de apontar sua arma para o rosto de Saysan.
A Corregedoria concluiu ser evidente o vínculo entre a estudante Iolanda e o policial, já que os dois se encontraram momentos antes da agressão ao comerciante iraniano, que vive no Brasil desde a década de 1980.
NOVA VERSÃO
Logo após o episódio na loja de Navid Saysan, em boletim de ocorrência, Leonel e Iolanda negaram tanto que se conheciam como que tinham combinado a ação previamente. Ela havia dito à polícia que saiu da loja para ligar para a PM e que viu um carro da Polícia Civil passar em frente ao local. O policial, então, teria oferecido ajuda por pensar que se tratava de um assalto.
Quando vieram à tona as imagens da câmera de segurança do restaurante em que os dois aparecem conversando, o investigador e a estudante mudaram a versão.
Ela disse que, após ter o pedido de devolução do tapete negado, procurou um advogado, que conversou com um funcionário da loja por telefone e ouviu que Iolanda "deveria procurar seus direitos".
Segundo essa versão, o advogado da estudante entrou em contato com Camilo para pedir orientação e passou o contato do investigador à sua cliente para que conversassem melhor sobre o caso.
