Kirchner diz que países da América do Sul adotam "metodologia de calúnia"
LUCIANA DYNIEWICZ
BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Sem citar literalmente o Brasil, a ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner afirmou que o atual governo de Mauricio Macri adota uma metodologia para caluniá-la que vem sendo aplicada em outros países sul-americanos.
A afirmação está em um documento entregue à Justiça pela ex-mandatária, que acrescentou que a ferramenta foi criada por especialistas de outras regiões do mundo.
Cristina chama o atual projeto político de Macri de "Plano de Ajuste e Miséria" e afirma que esse modelo "volta a requerer calúnia e difamação para ser implantado, sob o pretexto de que os líderes que defenderam e defendem os interesses populares e nacionais são irremediavelmente corruptos".
O texto ainda diz que "essa metodologia [de difamação] não é só claramente visível em nosso país, mas também se replica em escala regional, como um molde desenhado por especialistas de outras latitudes".
A Justiça recebeu o documento na manhã desta quarta-feira (13), data em que estava marcado o depoimento da ex-dirigente sobre a venda de dólares no mercado futuro a um preço abaixo do de mercado. Cristina, porém, se recusou a falar.
O juiz Claudio Bonadio, responsável pelo caso, estima que as operações financeiras realizadas pelo Banco Central no fim do ano passado, durante os últimos meses do governo Kirchner, causaram um prejuízo de cerca de R$ 19 bilhões aos cofres públicos.
Milhares de manifestantes seguem Cristina desde que ela chegou para depor em Buenos Aires na noite de segunda (11), vinda da Província de Santa Cruz, o berço do kirchnerismo, localizada no sul do país.
Vários deles comparam, sem serem questionados, as investigações dos casos que envolvem sua ex-presidente às que ocorrem no Brasil.
"Lamentamos muito o que está acontecendo no Brasil e na região. É um novo Plano Condor", afirmou o motorista Miguel Angel, de 65 anos, em uma referência ao sistema de repressão militar coordenado por ditadores do Cone Sul nos anos 1970 e 1980.
Para a dona de casa Janaína Pannoni, 35, as multinacionais querem enfraquecer os países sul-americanos, que haviam ganhado força nos últimos anos com governos de esquerda. "Espero que o Brasil se dê conta do que está ocorrendo", disse à reportagem.
