Prefeitura de BH recua e suspende corte de merenda dos professores
JOSÉ MARQUES
BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - Uma semana depois de anunciar que cortaria a merenda dos professores e funcionários das escolas municipais, a Prefeitura de Belo Horizonte voltou atrás e suspendeu a medida nesta sexta-feira (8).
Na capital mineira, os docentes da rede municipal podem se alimentar com a comida oferecida nas unidades de ensino, mas o benefício seria interrompido a partir do dia 15.
O anúncio repercutiu e levou o sindicato da categoria a ameaçar greve, até que a gestão Marcio Lacerda (PSB) recuou. Um comunicado divulgado à imprensa afirma que o próprio prefeito pediu a suspensão da medida e solicitou às secretarias de Educação e Segurança Alimentar que revisem contratos com fornecedores e o método de distribuição e processamento da merenda.
Para viabilizar verba, foi determinado que, em vez da Secretaria de Educação, obras de emergência nas escolas serão tocadas pela Sudecap (Superintendência de Desenvolvimento da Capital).
"Com essa medida, a prefeitura reitera o seu reconhecimento ao bom trabalho desempenhado pelos profissionais de Educação e mantém seu compromisso com a qualidade da alimentação de seus alunos", diz o comunicado.
CORTE
O corte havia sido anunciado em reunião de representantes do município com diretores de escolas. Em um texto distribuído no encontro, a prefeitura reclamava da crise do país, dizia que recebe o mesmo valor desde 2009 do PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar) e que custeia a maior parte da merenda.
"A prefeitura investe cerca de R$ 73,5 milhões por ano na alimentação oferecida nas instituições escolares. Desse montante, cerca de R$ 23,5 milhões são repasses do PNAE, e os outros R$ 50 milhões são recursos próprios da prefeitura", diz o informativo.
"Os valores transferidos pelo PNAE estão congelados desde 2009, gerando uma defasagem de 46,80%, que se refere à inflação acumulada por seis anos."
Procurado, o FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), responsável pelo PNAE, disse em nota que "os valores per capita da alimentação escolar foram reajustados em 2012".
