Sem previsão de aumento, professores de SP entram em "estado de greve"
PAULO SALDAÑA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma assembleia dos professores da rede estadual de São Paulo ligados à Apeoesp, principal sindicato da categoria, terminou em confusão. O tumulto começou assim que estudantes secundaristas tomaram o microfone dos sindicalistas - logo após a deliberação da categoria pelo estado de greve.
Na confusão, uma estudante tomou um chute de um dos seguranças da Apeoesp. Os estudantes atiraram garrafas de plástico e outro segurança também foi agredido com um soco. Ninguém ficou gravemente ferido. O ato ocorreu na tarde desta sexta-feira (8) na praça Roosevelt, no centro da capital paulista. Cerca de 5 mil professores participaram, segundo os organizadores.
Um grupo de cerca de 50 estudantes, a maioria participante do movimento de ocupações das escolas em 2015, compareceu à assembleia. Durante as falas, eles entoaram cantos contra o sindicato e também contra o governo federal.
A Apeoesp decidiu por votação pelo início de estado de greve e marcou para o dia 29 uma nova assembleia para, então, votar pelo início de greve. Os docentes pedem reajuste de 16,6% no salário para recompor a perda da inflação desde 2014, ano em que o governo Geraldo Alckmin (PSDB) concedeu o último aumento.
No fim da assembleia, uma estudante foi autorizada para subir no caminhão do sindicato para se posicionar. Lá de cima, ela jogou o microfone para o grupo de estudantes que estava ao lado caminhão. Os estudantes gritaram em grupo contra o sindicato, classificando-o de "pelego" e "burguês". Representantes do sindicato desligaram o áudio e a confusão começou quando os estudantes foram para cima do caminhão. Houve empurra-empurra, gritaria e pequenas agressões.
"A Apeoesp é o aparato da burguesia do PT, os estudantes é que são a base do ensino público", defendeu João Vitor, 17, que se formou no ensino médio no ano passado na escola estadual Fernão Dias. "Os professores que apoiaram as ocupações eram da oposição da Apeoesp".
A presidente da Apeoesp, Maria Izabel Noronha, afirmou que os estudantes incitaram a violência. "Essa foi uma assembleia dos professores, não chamamos os estudantes", diz. "A luta só da certo se é conjunta, eu nunca fui tentar deslegitimar a luta deles".
