Argentina retira gratuidade de 160 remédios distribuídos a aposentados
BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - O governo argentino retirou a gratuidade de 160 medicamentos que eram distribuídos a aposentados pelo PAMI (Instituto Nacional de Serviço Social para Aposentados e Pensionistas).
O órgão informou que esses remédios ou eram obsoletos ou não tinham eficácia clínica comprovada. Também foi determinado que não sejam entregues por mês mais que duas caixas de cada medicamento a uma pessoa.
A medida foi adotada após uma investigação judicial apontar indícios de que os nomes de cerca de 7.500 pessoas mortas continuavam na lista de beneficiados pelo programa.
Os medicamentos supostamente entregues a elas eram revendidos a clínicas e farmácias, segundo disse o diretor do PAMI, Carlos Regazzoni, ao jornal "La Nación".
O esquema pode ter gerado um prejuízo de 1,5 bilhão de pesos (cerca de R$ 400 milhões) à autarquia.
Apesar de Regazzoni ter afirmado que as drogas que não terão mais distribuição gratuita não serem eficazes, houve discordância entre especialistas.
Entidades que reúnem farmacêuticos estão entre os que questionaram a alteração no programa. Para elas, há antibióticos, anti-hipertensivos e neuroprotetores importantes na lista.
O presidente do Colégio de Farmacêuticos e Bioquímicos da Capital Federal, Claudio Ucchino, afirmou que pequenas farmácias serão prejudicados, reduzindo o número de empregos no setor.
Em sua conta no Twitter, ele também escreveu que "isso [a redução da gratuidade] fará com que os avós tenham que decidir se comem ou se se medicam".
O PAMI informou que os remédios que saíram da lista de gratuidade passarão a ter descontos de 50% a 80%.
