Cameron admite ter se beneficiado de offshore relevada no 'Panama Papers'
JULIANO MACHADO
BERLIM, ALEMANHA (FOLHAPRESS) - O primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, admitiu nesta quinta-feira (7) ter se beneficiado de um fundo de investimento offshore aberto nas Bahamas por seu pai, Ian, e que apareceu entre os milhares de documentos dos "Panama Papers", megavazamento de dados do escritório panamenho Mossack Fonseca.
Depois de negar ao longo da semana ter qualquer relação com o fundo Blairmore, Cameron disse que vendeu sua parte no negócio por 31,5 mil libras (R$ 164 mil, em valores atuais) em 2010, apenas quatro meses antes de assumir o cargo de premiê.
Cameron informou que sua parte no fundo havia sido adquirida por 12.497 libras (R$ 65,2 mil atuais). Com a venda, portanto, o lucro dele e de sua mulher, Samantha, foi de 19.003 libras (R$ 99.195 em valores de hoje). Esse ganho ficou apenas 300 libras abaixo do valor limite para capital de ganhos em que não é necessário pagar impostos no Reino Unido. Segundo o premiê, sua família declarou sempre os dividendos anuais advindos do investimento.
O primeiro-ministro vinha sendo pressionado pela oposição trabalhista e pela mídia britânica para declarar se havia tido algum ganho com o fundo aberto pelo pai. Após ter feito um discurso sobre União Europeia na quarta-feira (6), Cameron esquivou-se de uma pergunta da rede Sky News sobre o envolvimento do pai no "Panama Papers".
O repórter indagou se a família de Cameron se beneficiou ou poderia ainda se beneficiar do dinheiro aplicado na empresa. "Sobre minhas questões financeiras, não possuo ações, fundos offshore, nada disso", respondeu.
Em comunicado divulgado posteriormente, o gabinete do premiê afirmou que nem os filhos ou a mulher dele se beneficiaram do dinheiro que era administrado no exterior por Ian Cameron, morto em 2010. Inicialmente, a assessoria do líder britânico havia dito que o assunto era "privado".
