Premiê da Islândia renuncia após escândalo dos "Panama Papers"
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O primeiro-ministro da Islândia, Sigmundur Gunnlaugsson, apresentou sua renúncia nesta terça-feira (5), dois dias depois de seu nome aparecer nos documentos da investigação conhecida como "Panama Papers".
Após dizer que não deixaria o cargo, Gunnlaugsson cedeu aos protestos de milhares de islandeses que foram às ruas. De acordo com os papéis vazados, ele e sua mulher criaram uma empresa offshore nas Ilhas Virgens Britânicas com a ajuda do escritório panamenho Mossack Fonseca.
O premiê é acusado de conflitos de interesse por não ter revelado seu envolvimento com a empresa.
Mais cedo, o presidente islandês, Olafur Ragnar Grimsson, havia negado o pedido de Gunnlaugsson de dissolver o Parlamento e convocar novas eleições, o que tornou a situação do premiê praticamente insustentável. Segundo o jornal islandês Morgunbladid, membros do Partido Progressista, ao qual pertence Gunnlaugsson, se reuniram nesta terça (5) e concordaram que ele não poderia mais permanecer no cargo.
A legenda propôs o nome de Sigurdur Johannsson, atual ministro da Pesca e Agricultura, para substituir o premiê, que ficaria como líder do partido. A renúncia ainda precisava do aval do presidente islandês, Olafur Grimsson, para se tornar oficial.
Na segunda (4), parlamentares de oposição ao premiê apresentarem uma moção de "não confiança" em relação a Gunnlaugsson. O envolvimento do político no "Panama Papers", em que um consórcio de jornalistas publicou milhares de dados sobre como o Mossack Fonseca abria empresas offshore para operações como lavagem de dinheiro, levou milhares de pessoas às ruas para exigir sua saída.
FRANÇA
Nesta terça-feira, o jornal francês "Le Monde", com base em informações do "Panama Papers", publicou que pessoas próximas a Marine Le Pen, presidente do partido francês de extrema-direita Frente Nacional (FN), criaram um complexo sistema de empresas em paraísos fiscais.
Segundo o diário, o sistema funcionava com companhias localizadas em Hong Kong, Cingapura, Ilhas Virgens Britânicas e Panamá e serviu para "retirar dinheiro da França utilizando empresas de fachada com o objetivo de escapar do combate à lavagem de dinheiro no país".
O jornal ainda ressalta o papel do analista contábil Nicolas Crochet e do empresário Frédéric Chatillon, diretor da empresa Riwal, que presta serviços de comunicação para candidatos da FN. Ambos estão sendo investigados por suspeita de arrecadação de dinheiro para a campanha presidencial e legislativa de 2012 do partido.
Chatillon afirmou na segunda-feira (4) à noite que, para se antecipar a eventuais revelações dos "Panama Papers", colocou "os documentos que provam a perfeita legalidade das operações à disposição dos jornalistas".
A FN destacou em comunicado que "não está envolvida no caso". De acordo com o jornal francês, "em 2012, imediatamente depois da eleição presidencial, Chatillon se organizou, com o apoio de Crochet, para retirar 316 mil euros da Riwal e do território francês".
Na ocasião, foi organizado um complexo esquema, com a a aquisição de uma empresa de fachada chamada "Time Dragon", com sede em Hong Kong e matriz localizada nas Ilhas Virgens Britânicas, e se utilizando dos serviços da Mossack Fonseca.
O sistema inclui ainda uma sociedade de Hong Kong pertencente ao irmão de Nicolas Crochet, Ever Harvest Garments.
O vazamentos dos documentos desencadeou promessas de investigação e obrigou líderes, principalmente da Europa, a se defenderem de suspeitas. Dentre os citados no caso estão Ian Cameron, pai do premiê britânico, David Cameron e aliados próximos ao presidente russo Vladimir Putin.
