Presidente islandês nega pedido de novas eleições após suspeita de fraude
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O primeiro-ministro da Islândia, Sigmundur Gunnlaugsson, citado no caso das fraudes fiscais reveladas no domingo (3), teve seus pedidos de dissolver o parlamento e convocar novas eleições negados pelo presidente do país, Olafur Ragnar Grimsson, nesta terça-feira (5).
A decisão ocorre um dia após opositores do premiê apresentarem uma moção de "não confiança" em relação a Gunnlaugsson. O envolvimento do político na investigação conhecida como "Panama Papers", em que um consórcio de jornalistas publicou milhares de dados sobre como o escritório panamenho Mossack Fonseca abria empresas offshore para operações como lavagem de dinheiro, levou milhares de pessoas às ruas para exigir a saída do primeiro-ministro.
O presidente disse que deseja se consultar com outros líderes de partidos do país para avaliar a situação.
De acordo com os documentos vazados, Gunnlaugsson e sua mulher criaram uma companhia nas Ilhas Virgens Britânicas com a ajuda do escritório panamenho. Ele aparece como proprietário de 50% da offshore Wintris Inc, entre 2007 e 2009.
O premiê é acusado de conflitos de interesse por não ter revelado seu envolvimento com a empresa. Gunlaugsson nega que tenha feito algo ilícito.
FRANÇA
Nesta terça-feira, o jornal francês "Le Monde", com base em informações do "Panama Papers", publicou que pessoas próximas a Marine Le Pen, presidente do partido francês de extrema-direita Frente Nacional (FN), criaram um complexo sistema de empresas em paraísos fiscais.
Segundo o diário, o sistema funcionava com companhias localizadas em Hong Kong, Cingapura, Ilhas Virgens Britânicas e Panamá e serviu para "retirar dinheiro da França utilizando empresas de fachada com o objetivo de escapar do combate à lavagem de dinheiro no país".
O jornal ainda ressalta o papel do analista contábil Nicolas Crochet e do empresário Frédéric Chatillon, diretor da empresa Riwal, que presta serviços de comunicação para candidatos da FN. Ambos estão sendo investigados por suspeita de arrecadação de dinheiro para a campanha presidencial e legislativa de 2012 do partido.
Chatillon afirmou na segunda-feira (4) à noite que, para se antecipar a eventuais revelações dos "Panama Papers", colocou "os documentos que provam a perfeita legalidade das operações à disposição dos jornalistas".
A FN destacou em comunicado que "não está envolvida no caso". De acordo com o jornal francês, "em 2012, imediatamente depois da eleição presidencial, Chatillon se organizou, com o apoio de Crochet, para retirar 316 mil euros da Riwal e do território francês".
Na ocasião, foi organizado um complexo esquema, com a a aquisição de uma empresa de fachada chamada "Time Dragon", com sede em Hong Kong e matriz localizada nas Ilhas Virgens Britânicas, e se utilizando dos serviços da Mossack Fonseca.
O sistema inclui ainda uma sociedade de Hong Kong pertencente ao irmão de Nicolas Crochet, Ever Harvest Garments.
O vazamentos dos documentos desencadeou promessas de investigação e obrigou líderes, principalmente da Europa, a se defenderem de suspeitas. Dentre os citados no caso estão Ian Cameron, pai do premiê britânico, David Cameron e aliados próximos ao presidente russo Vladimir Putin.
