Forças da Armênia e do Azerbaijão entram em confronto
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Forças da Armênia e do Azerbaijão entraram em confronto neste sábado (2) na região disputada de Nagorno-Garabagh. Os governos de ambos os países culparam o outro pelo início dos confrontos.
Não há informações sobre a extensão dos combates e danos causados. O governo do território independente diz que um menino foi morto, mas não há confirmação de outras fontes.
O porta-voz do Ministério de Relações Exteriores armênio Artsrun Hovhannisyan afirmou em perfil do Facebook que as forças do país na região derrubaram um helicóptero militar azeri. "Combate ativo está ocorrendo. O Exército armênio lançou um contra ataque. Há vítimas dos dois lados, mas o lado aposto enfrentou grandes perdas em pessoal e equipamento. Um helicóptero [azeri] foi derrubado", diz a publicação de Hovhannisyan.
Já o Ministério de Defesa do Azerbaijão negou a derrubada do helicóptero. "Todos os veículos estão em seus lugares. É outra provocação da parte da Armênia", disse o órgão, citado pela imprensa russa.
O ministério azeri disse ainda que o conflito começou quando as forças armênias dispararam morteiros e artilharia pesada pela fronteira.
A região de Nagorno-Garabagh foi o centro de uma guerra entre os dois países que deixou cerca de 30 mil mortos e se estendeu de 1988 até 1994, quando uma trégua foi assinada. O território fica dentro do Azerbaijão, mas foi declarado um Estado independente e ficou sob controle de militares armênios e separatistas apoiados pelo governo armênio.
As negociações, que contaram com apoio russo, fracassaram em obter um acordo formal de paz e a disputa é considerada um dos "conflitos congelados" da Europa pós-soviética. O Azerbaijão critica o que considera ocupação armênia sobre 20% de seu território, não só em Nagorno Garabagh como em outras sete regiões adjacentes.
O Ministério de Defesa de Nagorno-Garabagh disse no Twitter que o Azerbaijão atacou vilas e postos militares de Garabagh com artilharia e forças aéreas, deixando um menino de 12 anos morto e outros dois feridos.
"O Exército de Garabagh conduziu proteção efetiva, causando sérias perdas para o Azerbaijão. Nós derrubamos um helicóptero que atacava nossas posições", diz o ministério.
RÚSSIA PEDE CALMA
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, pediu aos dois lados que respeitem o cessar-fogo e "exerçam controle para evitar novas perdas humanas", segundo a agência de notícias Interfax.
O ministro de Relações Exteriores russo, Sergei Lavrorv, e o de Defesa, Sergei Shoigu, conversaram por telefone com os colegas armênios e azeri sobre o conflito. Lavrov pediu aos dois que "lidem com a situação para interromper a violência". Já Shoigu pediu "medidas imediatas para estabilizar a situação na zona de conflito".
O Azerbaijão frequentemente ameaça retomar a região com uso da força e os confrontos na região alimentam preocupações de que o combate possa se expandir para a região do Cáucaso, que é atravessada por importantes oleodutos e gasodutos.
Confrontos na região ocorrem esporadicamente e um episódio similar de violência foi registrado no mês passado.
Na última quarta-feira (30), o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, pediu uma solução final ao conflito em conversas com o presidente azeri, Ilham Aliyev.
