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EUA vão divulgar detalhes dos seus estoques de urânio enriquecido

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MARCELO NINIO
WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Pela primeira vez em dez anos, os Estados Unidos vão divulgar detalhes de seu estoque de urânio altamente enriquecido que pode ser usado em armas nucleares.
O anúncio foi feito nesta sexta (1º) pelo presidente americano, Barack Obama, na abertura da sessão plenária da Cúpula de Segurança Nuclear, que reúne 52 países em Washington, entre eles o Brasil. Ele alertou que uma pequena quantidade de material nuclear em mãos de terroristas poderia levar a uma catástrofe que mudaria o mundo.
"Mais uma vez, estou deixando claro que os EUA continuarão a fazer a sua parte. Hoje estamos liberando uma detalhada descrição das medidas de segurança que nosso país toma para salvaguardar material nuclear", disse Obama. "Pela primeira vez em uma década estamos fornecendo um inventário público de nosso estoque de urânio altamente enriquecido, que poderia ser usado em armas nucleares. Esse é um inventário que nós reduzimos consideravelmente."
É a quarta e última versão da cúpula criada por Obama com o objetivo de aumentar a proteção de materiais nucleares e reduzir o risco de que sejam usados para ataques terroristas. Segundo Obama, nos seis anos desde o primeiro encontro os países envolvidos conseguiram reduzir o risco "de maneira mensurável". Apesar disso, alertou o presidente, "a ameaça de terrorismo nuclear persiste e continua a evoluir".
De acordo com o presidente, embora terroristas não tenham conseguido usar armas nucleares, o grupo Al Qaeda tentou obter material nuclear e o Estado Islâmico (EI) já lançou mão de armas químicas.
"A mais efetiva defesa contra o terrorismo nuclear é proteger esse material totalmente, para que não caia nas mãos erradas. Isso é difícil e centenas de instalações militares e civis ao redor do mundo ainda têm cerca 2 mil toneladas de material nuclear e nem todo ele está protegido de maneira apropriada", disse Obama. "Uma pequena quantidade de plutônio, do tamanho de uma maçã, poderia matar ou ferir centenas de milhares de pessoas inocentes. Seria uma catástrofe humanitária, política, econômica e ambiental com ramificações globais por décadas. Mudaria o nosso mundo."
Entre os êxitos obtidos desde a cúpula de 2010, Obama citou os 260 compromisso assumidos pelos participantes para aumentar a proteção dos materiais nucleares, entre os quais três em cada quatro foram cumpridos.
Também afirmou que 102 países ratificaram a Convenção para a Proteção Física de Material Nuclear. É um tratado "chave" para reduzir o risco de que material nuclear caia em mãos de terroristas, disse Obama, acrescentando que ele entrará em vigor nas próximas semanas.
Entre países com chefes de Estado presentes estão o Reino Unido, a França, a China, o Japão e a Coreia do Sul. Em uma reunião que antecedeu a abertura da sessão plenária, o presidente Obama esteve com os países do P5+1, que negociou o acordo nuclear com o Irã no ano passado, destinado a dificultar a produção de armas nucleares na República Islâmica, em troca da suspensão das sanções econômicas sobre o país.
"Este acordo obteve um sucesso substancial e se concentrou nos perigos da proliferação nuclear de forma eficiente", disse Obama. "Este é um sucesso da diplomacia e espero que possamos copiá-lo no futuro."

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