Taxistas fazem manifestação contra o Uber no Rio
LUCAS VETTORAZZO
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Taxistas contrários ao aplicativo Uber fazem uma mobilização no Rio nesta sexta-feira (1).
Desde as 5h30 da manhã grupos de taxistas se reúnem em pelo menos em quatro pontos na cidade ?Copacabana, São Cristóvão, Ilha do Governador e Barra da Tijuca? e também em Niterói.
Os taxistas prometem parar a cidade. Enquanto isso, o aplicativo anunciou que dará desconto de R$ 20 para seus usuários no Rio.
Eles pretendem sair em carreata até o aeroporto Santos Dumont, no centro do Rio, e depois seguirão para o prédio da prefeitura. O grupo, rompido com o sindicato da categoria, se mobilizou por meio do Whatsapp.
Segundo as rádios locais, a movimentação dos taxistas tem reflexo no trânsito da zona sul, nos acessos ao centro e na saída da zona norte. O trânsito ficou muito ruim na cidade durante a manhã.
Os taxistas pedem que a prefeitura proíba o aplicativo na cidade ou, pelo menos, pressione o judiciário para derrubar uma liminar da Justiça do Rio que permite a circulação de carros do Uber.
Uma fila de ao menos 100 carros percorreu na orla da praia de Copacabana, na zona sul.
Os taxistas, a maioria auxiliar ?sem alvará, portanto?, protestam com uma kombi de som.
Eles reclamam da tarifa mais barata que o aplicativo cobra dos passageiros e também que motoristas do Uber não pagam as taxas e impostos que incidem sobre os táxis. Um deles, por exemplo, é um seguro de responsabilidade civil obrigatório para o transporte de passageiros.
A manifestação ocorre de maneira pacifica. Uma pequena confusão, contudo, ocorreu quando um carro preto foi confundido com um Uber. Era, na verdade, o carro de um policial civil, que mostrou a carteira funcional quando os motoristas se aglomeraram em torno do carro.
"O movimento começou na Semana Santa, quando registramos queda de 70% no movimento. Estamos perdendo clientes para motoristas piratas", disse Raphael Guedes, integrante do movimento, taxista há 18 anos.
No carro de som, um manifestante fez uma crítica à sociedade que protesta contra a corrupção no Brasil, mas usa o aplicativo.
"Não adianta bater panela contra a corrupção e usar carro pirata", disse.
Guedes questiona a não distribuição de novas autonomias [alvarás] pela prefeitura. "Se tem mercado para 10 mil ubers porque não distribui novas autonomias. Cerca de 90% dos motoristas de taxis no Rio são auxiliares. Por que não distribui novas autonomias?", disse.
Os taxistas que têm alvarás têm o direito de alugar seus carros a motoristas auxiliares que pagam uma média de R$ 200 pela diária para prestar o serviço. Estima-se que existam em torno de 30 mil táxis no Rio.
"Se a sociedade quer um novo sistema de transporte, que ele seja discutido e regularizado", disse o taxista André Luis Silva.
AEROPORTO
Além de causar transtornos no trânsito, a manifestação de taxistas atrapalhou quem ia ao aeroporto Santos Dumont, no centro do Rio.
Por volta das 9h30, quando a carreata chegou ao aeroporto, pessoas que tinham voo marcado carregavam a pé suas malas.
Muitas delas revoltadas com o protesto. Era o caso do advogado Cristiano Campelo, 34, que corria de terno e gravata carregando sua mala pelo Parque do Flamengo, que dá acesso ao aeroporto. Seu voo para Belo Horizonte estava marcado para as 10h.
Ele defendeu a regulamentação do serviço do Uber e disse que, até então, entendia a reivindicação dos taxistas. Diante dos transtornos, contudo, se voltou contra o serviço convencional de táxis.
"Achei totalmente exagerada a manifestação. É compreensível que os ânimos estejam alterados no país, mas fazer um protesto dessa magnitude em plena sexta-feira e no início de mês é inadequado. Acabei de instalar o Uber no meu celular", disse.
Um grupo de três paulistas que passou uma semana no Rio a trabalho demorou duas horas para chegar ao aeroporto. Eles inicialmente pegaram um Uber, cujo motorista deixou a corrida no meio com medo de represálias de taxistas. Eles pegaram um ônibus, que ficou preso no trânsito. Completaram o percurso a pé, carregando malas.
"Eu não pego mais táxi. Eles não aceitam concorrência. Eles têm de entender queba tecnologia chegou para ficar e há espaço para todos os serviços. O direito de protestar existe, mas e o meu direito de ir e vir?", disse Bruno de Paula, 31.
Na mesma situação, a arquiteta baiana Renata Almeida, 29, antecipou sua chegada ao aeroporto, mesmo que seu voo seja as 15h. Ela, que tinha um compromisso de trabalho pela manhã na Barra da Tijuca, zona oeste, tentou pegar um táxi a partir das 6h, sem sucesso. Decidiu cancelar o compromisso e se concentrar para chegar ao aeroporto.
Ela, contudo, disse apoiar a manifestação de taxistas. "Eu não acho justo que os taxistas paguem uma série de impostos e taxas e o Uber preste um serviço sem qualquer regulamentação", disse.
