Tom cordial deve dominar encontro de presidente argentino com líder chinês
LUCIANA DYNIEWICZ
BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - A primeira reunião entre o novo presidente da Argentina, Mauricio Macri, e seu homólogo chinês, Xi Jinping, ocorrerá durante a Cúpula sobre Segurança Nuclear, que começa nesta quinta-feira (31) em Nova York.
Macri deverá procurar manter uma relação amistosa com a China após ter dito que os contratos assinados pelo país oriental com sua antecessora, Cristina Kirchner, passarão por um pente fino e poderão ser rompidos.
O governo atual já afirmou que cláusulas secretas dos documentos precisam ser analisadas e que obras de infraestrutura tocadas por empresas chinesas só terão continuidade se estiverem de acordo com as prioridades da Casa Rosada.
Apesar da crítica, Macri não quer se afastar da China devido à importância econômica do país. Assim, o debate em torno dos contratos deverá ocorrer de maneira discreta e diplomática.
"Não há um questionamento frontal, apenas as circunstâncias mudaram", diz Miguel Velloso, do Conselho Argentino para Relações Exteriores.
No período kirchnerista, a Argentina era mais dependente da China. Neste ano, com o acordo fechado com os fundos abutres, o país latino-americano poderá voltar ao mercado de capitais, reduzindo sua necessidade por financiamentos e recursos chineses.
Além dos contratos, o afundamento de um barco chinês pelas forças marinhas argentinas foi outro fator de desconforto entre os países registrado em menos de quatro meses de governo macrista.
A embarcação pescava ilegalmente em águas argentinas e submergiu, em 15 de março, após ser atingida por vários disparos.
Na ocasião, Pequim afirmou que acompanhava o assunto com "atenção elevada" e pediu "medidas efetivas" para evitar que um acidente similar voltasse a acontecer.
A diplomacia argentina respondeu que a operação havia sido realizada de acordo com o protocolo internacional, e os dois países optaram por dar o incidente como superado.
