Sequestro do avião da EgyptAir chega ao fim e homem é detido
DIOGO BERCITO
CAIRO, EGITO (FOLHAPRESS) - Um avião da companhia aérea EgyptAir, que viajava entre Alexandria e Cairo, foi sequestrado na manhã desta terça-feira (29). Desviada de sua rota, a aeronave pousou no Chipre, entre receios de um novo atentado na região.
O Ministério das Relações Exteriores do Chipre anunciou em seu Twitter que o sequestrador, Seif Eldin Mustafa, foi detido.
Em seu Twitter, a EgyptAir disse que todos os passageiros foram libertados. Havia 81 pessoas na aeronave, incluindo 21 estrangeiros, de acordo com o Ministério da Aviação Civil.
Os motivos que levaram ao sequestro ainda são incertos. Durante as negociações de soltura dos reféns, Mustafa teria pedido para se encontrar com oficiais da União Europeia ou para ir a outro aeroporto, segundo disse o primeiro ministro do Egito Sherif Ismail, que também acrescentou que o sequestrador é egípcio.
"Em alguns momentos ele pedia para se encontrar com representantes da União Europeia, e em outros ele pedia para ir a outro aeroporto, mas não havia nada de muito específico", ele disse.
Durante as negociações para a soltura dos reféns, o governo do Chipre anunciou que o sequestro do avião MS181 não estava relacionado ao terrorismo. De acordo com as autoridades egípcias, o homem ameaçou a aeronave dizendo ter explosivos, o que não havia sido confirmado.
Circulavam durante a manhã informações desencontradas a respeito do incidente. Uma rádio do Chipre, por exemplo, afirmou que o sequestrador tinha possivelmente razões pessoais para o crime, pois sua ex-mulher mora no país. Ele teria pedido que uma carta, em árabe, fosse entregue a ela.
A mídia do Chipre também informou, paralelamente, haver motivação política no sequestro, citando uma suposta exigência para a soltura de prisioneiros no Egito.
Anteriormente a mídia egípcia havia identificado o sequestrador como Ibrahim Samada, com nacionalidade do país. Também havia informações de que ele era líbio, e relatos sugeriam que ele não sabia falar árabe.
No meio-tempo, o aeroporto de Lárnaca, no sul do Chipre, cancelou todos os pousos e decolagens ali.
Esse é o segundo incidente grave envolvendo aeroportos egípcios nos últimos meses. Em outubro de 2015, um avião explodiu na península do Sinai, em um atentado reivindicado pela organização terrorista Estado Islâmico, com saldo de 224 mortos.
O Egito, cuja economia depende do turismo, é afetado diretamente por esses ataques, sofrendo com a queda drástica no número de visitas ao país. Desde o atentado no Sinai, o país perdeu ao menos US$ 1,3 bilhão na receita da indústria turística.
