Brasil e outros 15 países vão defender desarmamento nuclear em cúpula
JOHANNA NUBLAT
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Brasil e outros 15 países vão defender, durante a Cúpula sobre Segurança Nuclear, esta semana, a necessidade do desarmamento nuclear pelos países.
A defesa reforça a posição brasileira na cúpula anterior, há dois anos, mas ganha urgência frente ao receio de que grupos terroristas tenham acesso a esse tipo de material e consigam amplificar os estragos causados em atentados.
Após os ataques em Bruxelas, na semana passada, chegou a ser cogitada a possibilidade de os terroristas terem plantas nucleares como alvo original dos atentados.
A cúpula, a quarta e a última a ser feita seguindo no modelo idealizado pelo presidente Barack Obama, será realizada em Washington entre a quinta (31) e sexta-feira (1º).
Um dos pontos centrais da declaração endossada por 16 países, incluindo o Brasil, é a defesa enfática do desarmamento nuclear, o que eliminaria a possibilidade de grupos mal intencionados terem acesso ao material.
Essa posição, no entanto, encontra resistências de nações que se apoiam neste tipo de garantia. Além do Brasil, assinam o documento Argélia, Argentina, Chile, Egito, Indonésia, Cazaquistão, Malásia, México, Nova Zelândia, Nigéria, Filipinas, Cingapura, África do Sul, Tailândia e Vietnã.
"Somos realistas para saber que o desmantelamento não vai ocorrer em um ano (...) Mas o que a gente vê é o contrário, países hoje dando nova ênfase nos armamentos", diz um dos negociadores brasileiros.
O conjunto dos 16 países também defende um mecanismo que estabeleça a prestação de contas do material nuclear utilizado em instalações militares -onde se encontra cerca de 83% de todo o material. Segundo o negociador brasileiro, hoje há a previsão de prestação de contas voluntária do material usado em ambiente civil.
A Rússia, que detém grande parte das armas nucleares existentes hoje no mundo, anunciou que não vai participar desta edição da cúpula.
