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Alckmin suspende bônus para professor

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PAULO SALDAÑA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O governo Geraldo Alckmin (PSDB) suspendeu o pagamento do bônus salarial para os professores e servidores da educação neste ano. É a primeira vez que o governo do Estado deixa de pagar o adicional desde que a medida foi implantada, em 2008.
Sob justificativa de falta de recursos, a gestão pretende utilizar o valor na concessão de um reajuste à categoria. O índice seria de 2,5%, segundo os sindicatos da categoria, que conheceram nesta segunda (28) o plano do governo.
A inflação acumulada desde o último aumento, em junho de 2014, é de 16,4%, segundo o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor).
A secretaria de Educação do Estado, no entanto, não confirma a definição de um porcentual.
Recebem o bônus os profissionais das escolas que atingiram as metas de desempenho do indicador de qualidade do Estado, o Idesp. O governo sempre defendeu a medida como central no projeto educacional do Estado.
No ano passado, 232 mil servidores da educação receberam um total de R$ 1 bilhão com a bonificação. O extra, que costuma ser pago em março, chegou a representar em anos anteriores até R$ 9 mil para alguns servidores -ou até três salários.
Neste ano, o Idesp avançou nas três etapas da educação básica. Isso indica que o número de professores beneficiados neste ano seria maior do que no ano anterior.
Historicamente, os sindicatos sempre foram contrários à política de bônus e defendem a incorporação dos valores ao salário.
Mas agora, diante do índice de 2,5%, a categoria ameaça uma greve após assembleia no dia 8. Para Maria Izabel Noronha, presidente da Apeoesp, principal sindicato dos professores, o percentual indicado para reajuste é tão baixo, "que não dá para iniciar uma negociação".
"A categoria não vai aceitar mais uma perda", afirma.
O presidente do CPP (Centro do Professorado Paulista), José Maria Cancelliero, também criticou a proposta. "Esse porcentual de 2,5% é uma miséria. O professor está sem reajuste desde 2014, mas a choradeira do governo é que está em crise e que não tem arrecadação", diz.
A gestão Alckmin deixou os professores sem reajuste no ano passado, após uma greve de 89 dias da categoria estadual.
Na prefeitura de São Paulo, a categoria recebeu aumento de 7,5% no início do mês. Já o piso nacional dos professores foi reajustado em 11,3% neste ano.
Como a bonificação é prevista em lei, o governo Alckmin apresentou às entidades uma minuta de projeto de lei para direcionar a reajuste salarial os recursos destinados a essa política .
A pasta não informou se o projeto foi encaminhado à Assembleia Legislativa.
Na justificativa do projeto, o governo ressalta que a suspensão do pagamento do bônus se deve à "contenção orçamentária".
Defende, porém, que a proposta "atende uma das mais significativas reivindicações da rede estadual de ensino". Caso seja confirmado, o reajuste deve atingir também os aposentados.
Na semana passada, o governo do Estado confirmou o pagamento de bônus a 54 mil policiais que atuaram na redução de crimes.

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