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Com 'fim' da crise hídrica, Sabesp quer o fim do desconto na conta de água

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Depois de o governo de São Paulo ter anunciado o fim da crise hídrica, a Sabesp que acabar com o bônus para quem diminuiu seu consumo de água nos últimos anos.
O pedido protocolado pela empresa na Arsesp, agência estadual do setor hídrico, também pede o fim da multa para os que gastam muita água.
Se for aceito, tanto o bônus quanto a multa acabam a partir do mês de maio.
Especialistas são céticos sobre o fim da crise hídrica, tese defendida pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) em março.
Segundo eles, apesar de a situação estar mais confortável neste ano, em relação principalmente aos anos de 2014 e 2015, nada indica que o problema não pode voltar no médio prazo.
Nesta quinta-feira (25), a Sabesp, uma das maiores companhias de saneamento básico do mundo, anunciou os seus resultados financeiros de 2015. O lucro da empresa caiu 40,6%, de R$ 903 milhões para R$ 536,3 milhões, na comparação entre 2015 e 2014.
A receita operacional bruta da Sabesp, apesar da concessão de bônus aos consumidores e de uma queda na quantidade de água vendida de 6,8%, apresentou um ligeiro acréscimo de 0,5% entre 2014 e 2015.
Desde junho de 2015, a tarifa de água sofreu um reajuste de 15,2%. A multa para quem gastou muita água arrecadou para os cofres da empresa R$ 499,7 milhões no ano passado.

PERGUNTAS E RESPOSTAS
A crise da água acabou, como disse o governador?
Se comparada a do ano passado, sim, a situação está bem melhor. Mas moradores da periferia ainda sofrem com os cortes no fornecimento de água, principalmente nos períodos da noite e da madrugada. No auge da crise, o racionamento deixava algumas residências de 15 horas a 20 horas por dia com as torneiras secas. Agora a queixa é mais restrita.

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Qual foi o ponto mais crítico da seca?
No fim de janeiro de 2015, o sistema Cantareira, principal reservatório da Grande São Paulo, operava com apenas 5% de sua capacidade. Isso já contando com duas porções de seu volume morto, que é a água do fundo das represas que nunca havia sido captada antes. Naquele mês, já se falava em buscar a terceira e até a quarta porções do volume morto do sistema de represas.
Meses antes, o diretor Metropolitano da empresa havia dito em uma reunião fechada que, se a chuva não chegasse, ele não saberia como fornecer água a São Paulo. Chegou a cogitar a hipótese de evacuar parte da cidade.
O então recém-empossado presidente da empresa, Jerson Kelman, dizia que aumentaria o período em que a periferia de São Paulo ficava sem águas em suas torneiras. Tudo para que a cidade pudesse atravessar o que ele chamava de "deserto em 2015", já que o ano apontava ser pior do que o anterior.
A empresa começou a traçar um plano para atuar diante do colapso do fornecimento da água em São Paulo. Nessa situação, só seria capaz de entregar água para alguns hospitais, clínicas de hemodiálise e presídios.

O que fez a situação da água melhorar?
Um conjunto de fatores. Por parte do governo, houve uma maior integração das tubulações que permitiram flexibilizar a entrega de água dentro da Grande São Paulo. Com isso, passou a ser possível, por exemplo, levar água da cheia Guarapiranga para bairros que tradicionalmente eram atendidos pelo sistema Cantareira, que esteve à beira de um colapso. Por parte da população, houve uma forte redução do consumo de água. No ponto mais crítico da estiagem, cerca de 90% da população reduziu seu consumo, muitas vezes incentivadas pelos programas de bônus e pela sobretaxa.
Outro fator determinante foi a volta do regime de chuvas, conforme o esperado. São Paulo passou dois anos com volumes de chuva extremamente baixos, em que o volume de água que entrou no Cantareira, por exemplo, foi 80% menor do que o previsto. Nos últimos seis meses, o Cantareira recebeu chuvas perto da média.

Alckmin merece novos prêmios pela gestão da crise?
A população e especialistas dizem que não. Durante o auge da crise faltou transparência ao governo do PSDB. Alckmin sempre minimizou a gravidade da crise e nunca admitiu que a Grande SP esteve sob um forte "racionamento" -preferia o eufemismo da "redução da pressão" nas tubulações, o que, na prática, é a mesma coisa. Durante a campanha eleitoral de 2014, quando era candidato à reeleição, adiou a implantação da sobretaxa na conta dos "gastões" de água. Em um debate eleitoral na televisão, chegou a dizer que não faltava água em São Paulo, contrariando a experiência diária de milhares de pessoas, principalmente na periferia da região metropolitana. Pesquisa Datafolha, em outubro, mostrou que apenas 15% dos paulistanos consideravam a gestão tucana da água como ótima e boa.

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Estamos preparados para uma nova seca?
Caso a próxima seca seja tão rigorosa quanto a última, a população de São Paulo deverá sofrer novamente. Mas segundo a Sabesp e o governo do Estado, as condições de operação e de distribuição da água na cidade estão melhores do que antes da crise.
De qualquer forma, caso ocorra uma seca ainda mais rigorosa, São Paulo poderá ter mais problemas já que questões estruturais ainda não foram enfrentadas como um programa de individualização de hidrômetros em condomínios, incentivo à água de reuso etc.

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