Secretário nega relação entre queda de homicídios e alta em mortes suspeitas
ROGÉRIO PAGNAN
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O secretário da Segurança Pública, Alexandre de Moraes, negou nesta quarta-feira (23) haver relação entre a queda nos homicídios dolosos (com intenção) e o crescimento das mortes suspeitas.
Em 5 de março, a Folha de S.Paulo revelou que a polícia paulista registrou 60.049 mortes suspeitas entre 2012 e 2015.
Esses registros, que não fazem parte das estatísticas divulgadas todos os meses pela gestão Geraldo Alckmin (PSDB), vêm crescendo ano a ano, na contramão dos casos de homicídio - que acumulam quedas nos balanços usados como bandeira do governo na área da segurança pública.
"Não há nenhuma correlação entre isso", disse Moraes, durante apresentação de parte das estatísticas de violência relativas a fevereiro. "Os dados estão absolutamente abertos para isso. Basta saber analisar os dados."
Moraes acrescentou que associar uma coisa a outra "talvez" se dê pela classificação usada pela Secretaria da Segurança Pública, "mortes suspeitas", dada, segundo ele, em 2005 ou 2006. "Morte suspeita parece que há uma dúvida se foi homicídio, se foi latrocínio.. Morte suspeita é a classificação quando não é homicídio e não é latrocínio."
REDUÇÃO
O governo de São Paulo anunciou redução de 7,53% nos homicídios dolosos (intencionais) na capital em fevereiro.
Foram 93 homicídios em fevereiro de 2015 contra 86 no mesmo período deste ano. Com isso, segundo os dados oficiais, a cidade de São Paulo atinge, segundo a metodologia adotada, a menor taxa de assassinatos para grupo de 100 mil habitantes: 8,12. A anterior era de 8,5.
Em 2001, essa taxa era de 49,16 e, desde então, só vem caindo. A exceção foi 2012 - o que causou a queda do então secretário Antônio Ferreira Pinto. "Este é o resultado de um trabalho contínuo", disse o secretário.
Em fevereiro, a Folha mostrou que a metodologia usada pelo governo paulista para calcular a taxa de homicídios do Estado não segue padrões usados por outros Estados do país e, tampouco, os recomendados por organismos internacionais.
Por outro lado, a capital teve aumento em três indicadores de crimes patrimoniais, segundo a secretaria: roubos e furtos de veículos e em geral - 1,85%, 0,97% e 21%, respectivamente.
