Ataque pode ter sido antecipado após prisão de Abdeslam, diz especialista
DIOGO BERCITO
CAIRO, EGITO (FOLHAPRESS) - Enquanto as autoridades locais investigavam as cenas das explosões desta terça-feira (22) em Bruxelas, contando mortos e feridos, as recentes celebrações pela detenção de Salah Abdeslam em Paris murchavam.
Abdeslam foi preso na sexta-feira (18), após quatro meses de buscas internacionais. Ele é considerado um dos mentores dos ataques a Paris, que deixaram 130 mortos. Sua detenção parecia indicar um importante golpe à sua organização terrorista.
Os atentados em Bruxelas, porém, dão conta de que redes como a de Abdeslam ainda são capazes de planejar e executar ataques no continente, a despeito de todos os esforços contrários dos governos europeus.
"Com o que sabemos, é provável que um ataque planejado há um longo tempo tenha sido antecipado pelo receio de que a prisão de Abdeslam e as buscas recentes revelassem muitas informações", diz à reportagem Guy Van Vlierden, especialista em terrorismo e em militantes belgas no Estado Islâmico.
O especialista afirma que a vingança pela detenção do terrorista seria, assim, uma motivação secundária. "E é importante ressaltarmos que os seguidores do Estado Islâmico ainda consideram ele como um herói, e não como um traidor", diz. Vlierden monitora as redes sociais em busca de reações aos acontecimentos recentes, como parte de sua pesquisa.
Para Vlierden, é preocupante a possibilidade de que uma mesma rede terrorista consiga realizar dois ataques dessa magnitude em um curto intervalo de tempo. "É assustador, no que diz respeito a suas habilidades", afirma.
Ainda não há informações o suficiente para amarrar o ataque a Paris, a prisão de Abdeslam e as explosões em Bruxelas. Mas a repetição dos ataques pode indicar, também, a incapacidade dos governos de impedi-los. Para Vlierden, os esforços nesse sentido "vão ser sempre insuficientes".
"É mais do que um problema belga, e realmente não digo isso como um belga patriota. Os terroristas que querem agir vão sempre ter oportunidades, a não ser que você reformule sua sociedade em um Estado de polícia."
