Universidade de PE demite professor acusado de espancar ex-namorada
KLEBER NUNES
RECIFE, PE (FOLHAPRESS) - Um professor universitário foi demitido nesta segunda-feira (21) depois de ser acusado pela ex-namorada de espancá-la. A denúncia está sendo investigada pela Delegacia da Mulher, no Recife.
Em nota divulgada pela assessoria de imprensa, o Centro Universitário Maurício de Nassau, do grupo Ser Educacional, informou que, "seguindo os regimentos dispostos em seu código de ética, decidiu pelo desligamento do docente", após a realização de uma sindicância.
Thiago Ianatoni foi apontado como o responsável por bater e derrubar a jornalista Candice Dantas da escada do apartamento onde o casal viveu por um ano e dois meses.
Enquanto estava em Fortaleza, Candice disse que percebeu que o então namorado havia adicionado quase cem mulheres em redes sociais. De volta ao Recife, na última quinta-feira (17), eles discutiram e a jornalista resolveu se separar.
"No sábado (19), ao chegar no apartamento [para retirar os pertences], me deparo com outra mulher no meu quarto. Ele veio para cima de mim, me empurrou da escada e contra parede, me puxou pelos cabelos, me chutou, e me deixou caída no corredor do prédio", contou.
No mesmo dia, Candice fez um boletim de ocorrência contra o professor. Nas redes sociais, a jornalista postos fotos do documento e dos hematomas que, segundo ela, foram causados pelas agressões.
"Em julho do ano passado houve a primeira agressão. No meio de uma discussão ele me empurrou contra a parede, o empurrão foi tão forte que fiquei sem ar por alguns segundos. Na época ele me pediu mil perdões, disse que não teve a intenção, e eu acreditei. E essa foi a primeira de uma série de agressões", relatou.
Depois das denúncias, estudantes da instituição onde o professor trabalhava realizaram um protesto, nesta segunda, na entrada de um dos blocos do centro universitário, que fica na área central do Recife.
Os alunos empunharam cartazes com mensagens de repúdio à violência contra a mulher.
OUTRO LADO
Por telefone, Ulisses Dornelas Júnior, advogado do professor, disse que seu cliente nega as agressões e que será analisada a possibilidade de um processo contra a jornalista.
Por meio de nota, Dornelas informou que o docente ainda não foi intimado para prestar esclarecimentos. O advogado também criticou a divulgação do caso que "deveria ser desenvolvido sob o manto da sigilosidade, para preservação da intimidade das partes envolvidas".
"O senhor Thiago foi 'condenado' a partir do registro de um boletim de ocorrência, o qual, em tese, deveria servir como base, apenas e tão somente para o início das investigações", disse o advogado em nota.
"Alguém já parou para pensar, ainda que por um instante que seja, que se os termos do boletim de ocorrência não forem verdadeiros, o estrago à imagem do senhor Thiago já foi consolidado?", questiona o defensor.
