Rússia diz que responderá violação de cessar-fogo sírio com força militar
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - As forças armadas russas alertaram aos EUA nesta segunda-feira (21) que usarão força militar em resposta às violações do cessar-fogo na Síria a partir de terça-feira (22), caso Washington se recuse a marcar uma reunião de emergência com Moscou.
Tanto o governo de Bashar al-Assad quanto rebeldes opositores já se acusam mutuamente de violá-lo. Os Estados Unidos declararam que não participarão do encontro, proposto pela Rússia para que os países coordenem ação conjunta contra quem desrespeitar a trégua. Um oficial norte-americano disse que o país está discutindo a questão "conjuntamente" com a Rússia.
O Exército da Rússia diz que os EUA demoram a responder às propostas de Moscou de monitoramento conjunto do cessar-fogo sírio. O general russo Sergei Rudsko declarou na segunda que a Rússia irá usar unilateralmente de sua força porque os EUA se recusaram a uma ação coordenada.
"O lado americano não estava pronto para essa discussão em particular e para a aprovação do acordo", disse Rudsko.
O ministro da defesa russo disse que "mais atraso na implementação das leis de resposta às violações do cessar-fogo é inaceitável". "Moradores inocentes morrem diariamente na Síria por conta do conflito."
Na segunda, os EUA responderam que não participarão da reunião de emergência por já estarem lidando com a questão.
"Nós vimos a mídia divulgando as preocupações da Rússia sobre o cessar-fogo. Quem esteja fazendo tais declarações deve estar mal informado, pois essas questões já vêm sendo discutidas há muito tempo, e continuarão a serem discutidas, de maneira construtiva [com a Rússia]", disse um oficial norte-americano anonimamente por não estar autorizado a fazer declarações públicas sobre o tema.
A Arábia Saudita declarou na segunda apoio à retirada parcial do exército russo da Síria. O país viu a ação como "passo positivo" e espera que ela acelere as negociações de paz com o presidente sírio Bashar Al-Assad para "fazer as concessões necessárias para alcançar a tão almejada transição política na Síria".
O cessar-fogo teve início em 27 de fevereiro, mediado pela Rússia e pelos EUA, com adesão de quase cem facções rebeldes. A facção terrorista Estado Islâmico (EI) e a Frente al-Nusra, filial síria da Al-Qaeda não foram abarcados pelo acordo e poderiam ser alvos de ataques.
No dia da implementação do acordo acusações de violação do cessar-fogo já ocorreram.
O presidente russo Vladimir Putin ordenou, na semana passada, retirada parcial das forças russas na Síria, mas disse que a ação contra o EI e a Frente al-Nusra continuará.
