Dois trabalhadores são baleados em fila por emprego no interior de SP
TÂNIA CAMPELO
SÃO JOSÉ DOS CAMPOS, SP (FOLHAPRESS) - Na busca por emprego, dois trabalhadores acabaram baleados na sede do Sintricom (Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil e Montagem Industrial) de São José dos Campos, na quinta-feira (17). Outras quatro pessoas ficaram feridas durante a confusão.
No momento do tiroteio, cerca de 60 pessoas estavam no sindicato para entregar currículo para vagas temporárias abertas na Petrobras.
Segundo o vice-presidente do Sintricom, Rodrigo Chagas Mendes, os tiros foram disparados por um diretor da entidade por volta das 15h. "Ele começou a discutir e logo estava todo mundo brigando, no braço mesmo. De repente, o diretor atirou, disparou vários tiros. Os trabalhadores correram, foi uma confusão", disse Mendes, que sofreu ferimentos na cabeça e no rosto.
Um trabalhador que estava no local disse ter ouvido, na hora da confusão, que a briga começou porque o sindicato informou que cobraria uma taxa dos candidatos selecionados. Mendes nega.
As imagens registradas pelas câmeras de segurança serão avaliadas pela Polícia Civil, que instaurou inquérito para apurar o caso. Ninguém foi preso até a tarde desta sexta (18).
Os trabalhadores baleados foram levados para o Hospital Municipal de São José dos Campos e para a Unidade de Pronto-Atendimento do Alto da Ponte, onde permaneciam internados nesta sexta.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, os dois trabalhadores não corriam risco de morte e o estado deles era considerado estável.
VAGAS
Desde o último dia 7, o Sintricom recebe currículo de candidatos interessados nas 1.600 vagas temporárias abertas na Revap (Refinaria Henrique Lage), da Petrobras. Até quinta-feira (17), 8 mil trabalhadores se candidataram às vagas.
Segundo o sindicato, todos os currículos serão enviados ao PAT (Posto de Atendimento ao Trabalhador), administrado pela prefeitura, que fará a seleção e o encaminhamento dos trabalhadores para as vagas.
Ainda segundo o Sintricom, os salários dos trabalhadores temporários variam de R$ 1.500 a R$ 5.000. Os contratos duram 45 dias, em média. Uma turma começa a trabalhar em abril e outra em maio.
