Diretora de escola é afastada após PMs reprimirem protesto de alunos
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A diretora da escola estadual Marilena Chaparro, no Parque Anhanguera, zona norte de São Paulo, foi afastada do cargo na sexta-feira (11) após policiais militares entraram na unidade para reprimir um protesto pacífico dos alunos.
Os policiais teriam agredido jovens de 12 a 16 anos, tendo usado, inclusive, spray de pimenta, segundo relatos e vídeos divulgados nas redes sociais. O caso foi divulgado pelo jornal "O Estado de S. Paulo".
Os estudantes faziam uma manifestação contra o fechamento de salas-ambiente e de informática.
Segundo a reportagem, uma policial que estava na escola para dar uma palestra sobre drogas teria acionado a PM. O chamado, porém, foi feito depois que a diretora da unidade procurou a agente.
A Secretaria Estadual da Educação afirmou, em nota, que retirou a diretora do cargo "tão logo tomou conhecimento dos fatos", e que instaurou uma apuração do ocorrido.
A pasta diz ainda ter convocado uma reunião nesta terça-feira (15), na qual ficou decidido a criação de uma comissão entre pais e alunos, que será responsável pelas decisões referentes à escola.
Procuradas, a Secretaria da Segurança Pública e a Polícia Militar ainda não tinham respondido até a publicação deste texto.
No ano passado, alunos ocuparam escolas contra projeto de reorganização escolar do governo do Estado. A situação levou a uma crise que suspendeu a reorganização e resultou na saída do então secretário Herman Voorwald.
IMAGENS
As imagens divulgadas por "O Estado de S. Paulo" mostram os estudantes gritando e exibindo cartazes, antes de a diretora abrir um portão para os policiais. É possível ver um estudante sendo arrastado para fora por um PM.
Um jovem de 14 anos disse ao jornal que os policiais pararam os carros longe dos portões, para que não fossem vistos. E, que, quando os alunos foram liberados, acabaram surpreendidos e perseguidos pelos PMs.
A tia de outro estudante de 16 anos afirmou que o sobrinho levou golpes de cassetete.
