'É inconciliável ser mãe e prefeita ao mesmo tempo', diz Berlusconi
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ex-premiê da Itália Silvio Berlusconi disse nesta terça-feira (15) que ser mãe e prefeita de Roma são tarefas inconciliáveis para uma mulher. A declaração que causou polêmica na Itália é referente à possível candidatura de Giorgia Meloni, do partido de direita Irmãos da Itália, grávida e rival de seu candidato à Prefeitura de Roma, Guido Bertolaso, ex-chefe da Agência de Proteção Civil italiana.
"Está claro a todos que uma mãe não deve se dedicar a um trabalho, e este trabalho [de prefeita] seria terrível, pois Roma está em uma situação terrível", disse o bilionário à emissora de rádio estatal RAI.
Os partidos estão em disputa pelas eleições municipais que ocorrerão em junho e o novo prefeito de Roma terá tarefa particularmente difícil diante da corrupção que assola a capital.
Nesta semana Bertolaso declarou que sua possível rival "deveria ser uma mãe" e não participar da "violenta campanha eleitoral", que exigiria que ela lidasse com "imprevistos e situações sórdidas enquanto ela cuida de seu filho".
Diante da polêmica, o candidato de Berlusconi (do partido de direita "Forza Italia") declarou que não tinha intenção de ofender Meloni e que estava falando como se a possível candidata "fosse sua mulher".
Meloni tem apoio do líder de seu partido Matteo Salvini e representaria desafio para Bertolaso. Ela disse que espera conciliar a maternidade com o trabalho assim como fazem outras mulheres, mas ressaltou que ainda não decidiu se concorrerá ao cargo -o que causaria divisão dos votos dos conservadores na capital.
"Quando eles questionariam a candidatura de um homem por ser pai?", disse a ministra da Reforma Maria Elena Boschi em seu Twitter.
Titti Di Salvo, do Partido Democrático, disse "Isso é puro machismo patriarcal, decidir o lugar que a mulher deve ocupar. Esse caso mostra como ainda estamos culturalmente na Idade Média".
A desigualdade de gênero no mundo do trabalho é grande na Itália. Segundo o Eurostat, que produz dados estatísticos dos países da Europa, menos da metade da mulheres em idade de trabalho estão empregadas, 18% a menos do que os homens. A taxa de mulheres empregadas no país foi a segunda mais baixa em toda a União Europeia em 2014, perdendo apenas para a Grécia.
O primeiro-ministro Matteo Renzi defendeu a igualdade de gênero como um dos focos de sua gestão, mas o observatório político Openpolis constatou que apenas 14% das prefeituras italianas são ocupadas por mulheres, e que nenhuma cidade com mais de 300 mil habitantes tem uma prefeita.
"Essa não é uma cidade para as mulheres. O que está acontecendo no momento é inacreditável e revela a misoginia no país", disse a ministra da Saúde e mãe de gêmeos, Beatrice Lorenzin, na segunda-feira (14).
