60% das grávidas com manchas têm zika em Ribeirão, apontam exames
MARCELO TOLEDO
RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - Os primeiros resultados de exames apontam que seis em cada dez gestantes que apresentaram manchas vermelhas no corpo têm o vírus da zika em Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo).
Boletim epidemiológico divulgado na manhã desta terça-feira (15) pela Secretaria da Saúde local mostra que, das 70 gestantes com resultados de exames conhecidos, 45 tiveram a confirmação de que têm zika -há um mês, eram 11. Outros 25 casos suspeitos foram descartados.
Há, ainda, 355 grávidas à espera dos resultados.
No total, foram registrados 2.531 casos suspeitos da doença na cidade nos dois primeiros meses deste ano, de acordo com a secretaria.
Todas as gestantes foram submetidas a exame laboratoriais, diferentemente do restante da população, cujo diagnóstico é clínico -feito pelos médicos-, devido à associação entre o vírus e a microcefalia em recém-nascidos.
Ter a confirmação de zika não indica elo direto com microcefalia, segundo a médica Ana Alice de Castro e Silva, chefe da Vigilância Epidemiológica de Ribeirão.
"Já nasceu bebê de mãe que teve confirmação de zika e a criança não tinha nada. Há casos de infecção na 38ª, 39ª semana de gravidez. A preocupação maior é em relação aos primeiros meses da gestação", disse.
De acordo com ela, gestantes que apresentarem manchas vermelhas devem procurar imediatamente um médico e serem submetidas a exames. "Em caso de confirmação, elas são acompanhadas e encaminhadas para o ambulatório especial do HC [Hospital das Clínicas]."
O total de confirmações preocupa mas, conforme a médica, é preciso aguardar resultados dos exames das demais gestantes para que o universo acompanhado seja mais amplo.
A cidade teve, desde 2015, cinco notificações de microcefalia, nenhuma relacionada à infecção pelo vírus da zika, de acordo com a Vigilância Epidemiológica.
DENGUE
Ainda conforme a Secretaria da Saúde, o total de casos confirmados de dengue, uma das doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti -há, ainda, a chikungunya, chegou a 15.617 nos dois primeiros meses do ano.
O total supera os números de 2010, até aqui o ano da maior epidemia da história da cidade, com 29.637 casos. Naquele ano, foram 5.844 confirmações nos dois primeiros meses do ano.
Há cinco mortes suspeitas por dengue e duas por zika no município. Em 2015, foram duas mortes confirmadas por dengue (mesmo assim, foram em dezembro, no início da atual epidemia).
O total de casos suspeitos até março é de 36.193. Há, ainda, 106 suspeitas de chikungunya.
