Venezuela deve eleger "o quanto antes" governo para crise acabar, diz Obama
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse se preocupar com a situação econômica da Venezuela e que o país deve eleger "o quanto antes" um novo governo que o tire da crise.
Em entrevista divulgada nesta segunda-feira (14) ao canal CNN en Español, o presidente disse que a crise econômica é atrelada às políticas do governo do presidente chavista Nicolás Maduro.
"Isso está diretamente ligado com os desafios de governança, e o quanto antes o povo venezuelano possa escolher um governo em que confiem e que seja legítimo, e possa implementar políticas econômicas que os tirem deste ciclo em que estão, será melhor para todos nós."
Obama disse ter declarado o decreto que declarou a Venezuela ameaça aos EUA porque o governo de Maduro "não cumpria com as práticas básicas da democracia" e pelo risco de que a situação prejudicasse os vizinhos.
O americano estendeu no dia 3 o decreto por mais um ano, levando a retaliação do chavismo. Maduro retirou seu encarregado de negócios em Washington e anunciou uma campanha de repúdio.
O venezuelano respondeu às declarações, em entrevista ao canal regional Telesur, sediado em Caracas. Para Maduro, Obama "entrou na loucura da oposição" e "sua obsessão é acabar com a Revolução Bolivariana".
"Obama quer passar à história com uma mancha contra a Venezuela de Bolívar. Quem é você, Obama, para opinar sobre nosso país? Esquartejou o mundo e agora anuncia que quer destruir a Venezuela."
ARGENTINA
Ainda na entrevista, Obama afirmou que tinha uma relação cordial com a ex-presidente argentina Cristina Kirchner nos eventos em que os dois se viam, mas criticou que as políticas de seu governo fossem "sempre antiamericanas".
"Acredito que ela recorria a uma retórica que data provavelmente dos anos 1960 ou 1970 e não da atualidade", disse, colocando o país como "um bom exemplo de uma mudança na relação com os Estados Unidos".
Ele fazia referência ao atual mandatário, Mauricio Macri, que o receberá na próxima semana em Buenos Aires.
"Ele reconhece que estamos em uma nova era e que devemos olhar pra frente e que a Argentina, que historicamente era um país muito poderoso, teve debilitada sua posição relativa no mundo em parte por não ter se adaptado à economia mundial tão eficazmente como teria podido."
