Argentina desiste de visita de Obama a centro de tortura da ditadura militar
SYLVIA COLOMBO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A viagem do presidente Barack Obama à Argentina teve a agenda alterada, após fortes críticas de associações de direitos humanos locais.
O norte-americano chegará a Buenos Aires na noite do dia 22 de março e estava previsto que acompanharia seu par argentino, Mauricio Macri, na homenagem aos mortos durante a última ditadura militar (1976-1983), dia 24.
O golpe que deu origem ao regime completa 40 anos, e as organizações que defendem as vítimas julgam pouco conveniente a presença de Obama na celebração, devido à colaboração americana com os generais argentinos.
Em carta aberta ao presidente dos EUA, o Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel disse: "Em 1976, quando você tinha apenas 14 anos, a Argentina entrou no período mais trágico de sua história. Escrevo como um sobrevivente daquele horror, que foi financiado e coordenado pelos EUA".
Já a líder das Avós da Praça de Maio, Estela de Carlotto, afirmou que "não é conveniente que Obama venha dia 24, é uma data delicada. Ele é o presidente de um país que apoiou a repressão na América Latina, o país de Henry Kissinger [secretário de Estado americano na época do golpe]".
A Chancelaria argentina anunciou, então, que a ida de Obama ao ato na Esma (Escola Superior da Marinha, principal centro de tortura na ditadura) seria cancelada. Em vez disso, os dois presidentes irão a Bariloche, sul do país.
O assunto direitos humanos, porém, não estará completamente fora do encontro.
Após receber Carlotto na residência presidencial, em Olivos, Macri sinalizou que aceitaria transmitir a Obama a reivindicação das associações pela abertura dos arquivos norte-americanos sobre a Operação Condor (ação coordenada entre governos militares do Cone Sul, com apoio dos EUA) para esclarecer o destino de desaparecidos argentinos.
Em entrevista ao jornal "La Nación", o Secretário de Direitos Humanos, Claudio Avruj, confirmou que este deve ser um dos temas tratados no encontro.
