Evitamos uma nova tragédia de Mariana, diz presidente da Sabesp
FABRÍCIO LOBEL
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente da Sabesp, Jerson Kelman, disse à reportagem na tarde desta sexta-feira (11) que, após as fortes chuvas das últimas horas, a empresa paulista de água teve que agir para garantir a segurança da barragem da represa Paiva Castro, em Mairiporã.
A represa representa 6% do sistema Cantareira e é a mais próxima da Grande São Paulo.
Com as chuvas da última noite, a represa encheu de forma muito rápida e, por volta das 4h30 da madrugada, as comportas foram abertas pela Sabesp para evitar que a barragem se rompesse.
"Há um protocolo de ação. Avisa-se a Defesa Civil e o prefeito (...) e depois, caso a represa continue enchendo, abre-se as comportas". Para o presidente da Sabesp, a ideia era "evitar Mariana", em referência ao rompimento da barragem da Samarco em Minas Gerais, no final do ano passado, com um mar de lama que deixou 19 mortos -sendo um deles ainda desaparecido.
Kelman, que é especialista em hidrologia e controle de enchentes, diz que, se não fosse pela represa, o efeito das enchentes sobre as cidades de Franco da Rocha e Caieiras seriam muito maiores.
VOLUME
Para se ter uma ideia, das 18h da última quinta-feira (12) até as 6h desta sexta, a represa recebeu 125 mil litros de água por segundo, devido às chuvas.
O pico foi à 1h, quando o fluxo de entrada de água na represa chegou aos 239 mil litros por segundo. Para efeito de comparação, isso é quatro vezes o volume de água consumido pela Grande São Paulo.
Por isso, a comporta da represa teve que ser aberta. A Sabesp passou a liberar água ao ritmo de 20 mil litros por segundo, em média (o pico do escoamento foi por volta das 13h desta sexta, quando a empresa liberou 50 mil litros por segundo). A água escoou em direção às cidades de Franco da Rocha e Caieiras, que sofreram enchentes.
"A enchente é causada pela chuva, e não pela represa. Se fosse culpa da represa, Francisco Morato não teria os problemas que está tendo."
A represa funcionou como uma esponja e absorveu 5 bilhões de litros da água que desceu pela serra da Cantareira. Antes das chuvas, a represa Paiva Castro tinha 35% de sua capacidade. Mas, na última madrugada, chegou próxima a seu nível máximo. Às 9h desta sexta (11), a represa tinha 99,4% de sua capacidade.
Na tarde desta sexta-feira, a Sabesp continuará com comportas abertas para aliviar o nível da represa, já que há expectativas de novas chuvas nos próximos dias.
