Rússia planeja fechar escritório de direitos humanos da ONU no país
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O governo russo indicou que fechará o escritório da Comissão de Direitos Humanos da ONU em Moscou, afirma o chefe do órgão das Nações Unidas em relatório anual divulgado nesta quinta-feira (10).
Zeid Ra'ad Al Hussein declarou "que se preocupa com os sinais vindos do governo russo sobre a intenção de acabar com a presença da ONU" e ressaltou que o ato diminuirá o espaço para dissenso no país. O relatório também denuncia o aumento da "corrida para impedir" que migrantes e refugiados cheguem à Europa.
O chefe da comissão disse ainda que o acordo entre Europa e Turquia para solucionar a crise dos migrantes traz preocupação para a ONU. Embora ele tenha condenado a formação de barreiras nas fronteiras europeias, a apreensão de bens dos migrantes e a detenção arbitrária de pessoas com base em sua origem, Hussein ressaltou que a ONU é um órgão que não está acima da soberania dos países e que não tem poder de jurisdição criminal.
OUTROS PONTOS
No relatório, o chefe da comissão se pronunciou sobre a morte de 300 negros por policiais nos EUA em 2015, a violência ininterrupta no Burundi, Síria, Líbia, Iêmen e Sudão do Sul e a prisão de advogados e ativistas na China.
O chefe da comissão também mostrou preocupação com os casos de censura à mídia na Turquia, incluindo a invasão ao jornal Zaman.
Sobre o conflito entre Israel e Palestina, Hussein disse que os ataques a civis israelenses são "imperdoáveis", "mas as raízes da violência não podem ser ignoradas", sendo elas "a frustração e desespero dos palestinos frente à ocupação de seus territórios por Israel", o aumento da violência contra palestinos e o bloqueio na Faixa de Gaza.
O relatório ainda aponta a gravidade das denúncias de abuso sexual por soldados de paz da ONU, em especial na República Centro-Africana, mas ressaltou que "apenas Estados-membros podem conduzir investigações e processar os acusados".
