Corregedoria indicia policial e estudante no caso do tapete persa
GUILHERME BRENDLER
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O investigador de polícia José Camilo Leonel, 51, foi indiciado pela Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo por causa da agressão ao dono de uma loja de tapetes nos Jardins (zona oeste), Navid Saysan, 47, em janeiro deste ano.
O investigador da Polícia Civil foi até a loja de Saysan a pedido da estudante de direito Iolanda Delce dos Santos, 29, que havia se arrependido da compra de um tapete no valor de R$ 5.000 e queria o dinheiro de volta. Ela também também foi indiciada.
Camilo foi indiciado sob a suspeita de cometer quatro crimes: injúria, constrangimento ilegal, falsidade ideológica e corrupção passiva. Iolanda está sendo indiciada por constrangimento ilegal, falsidade ideológica e exercício arbitrário das próprias razões.
O caso ganhou repercussão depois que o "Fantástico", da Rede Globo, exibiu imagens do caso. Camilo agrediu Saysan com socos, chutes, além de o investigador ter apontado sua arma para o rosto do comerciante.
A Corregedoria concluiu que é evidente o vínculo entre Iolanda e José Camilo, já que ambos se encontraram momentos antes das agressões na loja de tapetes. Câmeras de segurança registraram Camilo e Iolanda conversando por meia hora em um restaurante próximo da loja do estabelecimento de Saysan.
Logo que a agressão se tornou pública, os dois negaram que se conheciam. Iolanda havia dito que saiu da loja para ligar para a polícia e que viu uma viatura da polícia civil passar. O policial, então, teria oferecido ajuda por pensar que se tratava de um assalto.
Quando o vídeo em que os dois aparecem conversando em um restaurante próximo da loja foi divulgado, Camilo e Iolanda mudaram a versão.
A estudante disse que, depois de ter o pedido de devolução do tapete negado, procurou um advogado, que conversou com um funcionário da loja por telefone e ouviu que a estudante "deveria procurar seus direitos".
O advogado, então, teria entrado em contato com José Camilo. "O policial disse que achou estranho e que poderia, sim, estar havendo um crime [na ação do lojista]", disse ela.
